A nova redução da taxa Selic pelo Copom, ainda que modesta, reforça a sinalização de que o ciclo de flexibilização foi iniciado e tende a ter continuidade nos próximos encontros, ainda que em ritmo cauteloso.

O corte de 0,25 ponto percentual, que leva os juros a 14,5% ao ano, ocorre após um longo período com a taxa estacionada em patamar elevado. O movimento indica uma leitura de que há alguma margem para aliviar o custo do dinheiro no país, ainda que de forma limitada e condicionada ao comportamento da inflação e do cenário externo.

Na prática, porém, a decisão pouco altera o quadro imediato. O peso dos juros elevados continua presente. Para as famílias, o crédito segue caro, com impacto direto sobre o consumo e o nível de endividamento. Para o setor produtivo, o custo de financiamentos ainda restringe investimentos, especialmente em máquinas, expansão e capital de giro.

Os efeitos da política monetária cautelosa seguem visíveis na atividade econômica, e a redução recente não é suficiente, por si só, para mudar esse cenário. Por outro lado, a continuidade dos cortes, mesmo que lenta, aponta para uma tentativa de reequilíbrio ao longo do tempo.

Há, no entanto, fatores de risco. A inflação segue pressionada, como mostrou a alta recente do IPCA-15, influenciada por combustíveis e alimentos. O ambiente externo incerto, agravado por tensões geopolíticas, adiciona volatilidade e dificulta previsões. Em entrevista à FOLHA, o economista Élcio Cordeiro da Silva alerta justamente para esse ponto: há um limite para a redução dos juros sem comprometer a meta inflacionária. Movimentos mais intensos poderiam desancorar expectativas e gerar efeitos adversos.

O desafio, portanto, está na dosagem. Reduzir juros pode contribuir para aliviar o crédito e estimular a economia, mas exige cautela para não reacender pressões inflacionárias. Abrir caminho para um acesso mais facilitado ao crédito, sem perder o controle dos preços, segue como a principal equação para sustentar o crescimento.

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