Seguro rural
A proposta de redução do orçamento para subvenção do seguro agrícola para o próximo ano irá prejudicar muitos agricultores paranaenses. Está em discussão na Câmara dos Deputados, uma redução do valor provisionado para o orçamento do próximo ano de R$ 669,7 milhões para R$ 46,5 milhões. A queda é de 93% do valor total e, por isso, deve ser amplamente debatida pelos deputados federais antes da sua aprovação. O relatório que aponta para a diminuição do valor é do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES). No entanto, é importante ressaltar que o Brasil ainda tem sua economia baseada no agronegócio e na exportação de commodities e, por isso, essa decisão pode impactar diretamente no fluxo da balança comercial. Agricultores descapitalizados investem menos em suas lavouras.
Consta no site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que ''é imprescindível'' ao produtor contratar o seguro rural para proteção de riscos causados por adversidades climáticas, uma vez que ao aderir ao seguro rural pode-se recuperar o capital investido em sua lavoura ou empreendimento. Além disso, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, do Mapa, deveria oferecer ao agricultor a oportunidade de segurar sua produção por meio de auxílio financeiro que reduz os custos de contratação do seguro.
Não é o que irá ocorrer se o orçamento for reduzido. Cálculos da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) estimam que os agricultores paranaenses seriam responsáveis por cerca de 25% do valor - ou R$ 167,4 milhões - inicialmente previsto no orçamento, de R$ 669,7 milhões. Este montante seria suficiente para cobrir aproximadamente 35% da área plantada de soja, trigo e milho, as principais culturas do Estado.
Relatório do Mapa indica que o Paraná é o Estado cujos agricultores mais aderem ao seguro. No ano passado das cerca de 52 mil apólices firmadas em todo o País, mais de 37 mil foram no Paraná, com pouco mais do total da área plantada segurada. Entre os principais sinistros estão a ocorrência de granizo, seca, geada e chuva excessiva. Os números reforçam a necessidade de um amplo debate sobre o assunto com envolvimento das entidades de classe e dos deputados e senadores que representam o Paraná. Se não houver esse envolvimento, a economia estadual como um todo poderá ser seriamente afetada.





