A segurança pública é uma preocupação que atravessa diferentes classes sociais e correntes políticas no Brasil. Facções criminosas, milícias e quadrilhas especializadas em roubos no campo ampliaram sua presença pelo território nacional. Se antes a violência associada ao crime organizado era vista sobretudo como um problema das grandes cidades, hoje ela também alcança municípios menores e áreas rurais.

O crescimento do poderio desses grupos preocupa pela capacidade de desafiar as instituições, controlar territórios, intimidar moradores e estabelecer regras próprias em determinadas comunidades. Em algumas situações, o avanço do crime organizado se aproxima da formação de um Estado paralelo, que disputa com o poder público o controle de áreas e atividades econômicas. Enfrentar essa realidade exige planejamento, integração entre as forças de segurança e ações capazes de atingir não apenas os executores, mas também as estruturas financeiras dessas organizações.

Historicamente, a segurança pública ocupou lugar de destaque no discurso da direita brasileira. No governo Jair Bolsonaro, a área ganhou status de ministério, pasta que o governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), chegou a comandar. Na atual disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), defendeu que os Estados Unidos classifiquem grupos como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, também passou a dar maior centralidade ao problema. A tradicional defesa de que a segurança pública é, sobretudo, uma responsabilidade dos Estados cede espaço à proposta de ampliar a participação da União e estabelecer uma atuação mais coordenada entre os entes federativos. A PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública, aprovada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado nesta quarta-feira (14), prevê penas mais duras e regimes de prisão mais restritos para chefes de facções e milícias, além de mudanças na organização e no financiamento das políticas de segurança.

A disputa política em torno da segurança pública não deve obscurecer o que está em jogo. O enfrentamento ao crime organizado precisa estar acima das diferenças partidárias. O brasileiro quer mais segurança, independentemente de quem esteja no governo. Cabe aos representantes eleitos, de diferentes partidos e esferas de poder, demonstrar que são capazes de transformar discursos e propostas em resultados.

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