Segurança pública com tecnologia, direito universal
"A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio (...)".
O trecho inicial do artigo 144 da Constituição Federal deve sempre nos guiar no combate à violência e à criminalidade. Hoje é apenas um desejo, amanhã pode ser uma conquista.
Ainda que as forças públicas efetivamente se esforcem no corajoso trabalho diário, as letras da Constituição se aproximam mais de uma obra ficcional aos olhos do cidadão. O dever não é cumprido pelo Estado, o direito do povo não é atendido e a responsabilidade da coletividade é apenas relativa neste esforço. Temos muito a avançar no desejável processo de transformar a Constituição em um documento efetivo em nossas vidas.
Para isso, não podemos prescindir de toda parafernália tecnológica que a humanidade dispõe hoje e que já causou impacto significativo no nosso estilo de vida. Os procedimentos são cada vez mais ágeis, mais práticos e mais integrados.
Os governos têm o dever de incorporar os novos paradigmas da vida em sociedade. Não há nada mais promissor quando pensamos na guerra contra o crime do que o uso intensivo da tecnologia no espaço público, um atalho para universalizar este direito, seja em áreas nobres ou nas periferias mais empobrecidas.
As instalações de uma rede capilar de câmeras no ambiente urbano e de centrais de monitoramento para o trabalho integrado das forças de segurança, associado a aplicativos de registro de ocorrência em tempo real, são os instrumentos básicos desta nova era. São alguns dos elementos que caracterizam uma smart city, o conceito que vem ganhando espaço nas cidades mais modernas do mundo.
A Acil e as entidades parceiras do setor produtivo estão dispostas a articular esse tipo de revolução no policiamento em Londrina. Há meses estamos dialogando com as principais autoridades do aparato repressivo da região e um consenso já se desenha para implementar todas as mudanças necessárias.
Para que a tecnologia renda frutos e faça o índice de criminalidade despencar, é essencial uma coesão nos comandos da Guarda Municipal, da Polícia Militar e da Polícia Civil em torno da ideia. Estamos caminhando neste sentido.
Ciente de que o tema é uma preocupação especial do corpo de associados e de todos os segmentos da sociedade londrinense, a Acil decidiu liderar o apoio a esta causa. Vamos formar um gabinete de segurança para desenvolver projetos, estudar formas de captação de recursos na esfera estadual e federal, além de zelar pela articulação entre todas as forças públicas.
Londrina se movimenta para ser reconhecida a médio prazo como uma smart city e um dos passos decisivos seria a implementação das soluções em segurança pública, o que poderia inspirar iniciativas semelhantes em outros segmentos como saúde, educação e transporte.
Nosso grande trunfo para alcançar este estágio é a Sercomtel, seu corpo técnico especializado, sua rede de fibra ótica e sua capacidade de transformar o monitoramento por câmeras em um serviço rentável a curto prazo.
Há muito o que fazer, certamente. Mas o que mais nos anima é que agora temos um rumo, um modelo, um projeto amadurecido coletivamente para transformar Londrina em um lugar mais seguro para viver, em todos os bairros e em todas as regiões.
CLAUDIO TEDESCHI é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina
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