Não bastasse a escalada da violência registrada em Londrina, as constantes fugas de presos contribuem para o aumento da sensação de insegurança entre a população. No feriado, um detento condenado a 97 anos de prisão fugiu da Penitenciária Estadual de Londrina 2 (PEL 2) depois de improvisar uma corda feita com calças destinadas às aulas de capoeira. Além da audácia do detento, uma falha no sistema de comunicação entre o agente que trabalha na sala de monitoramento por câmeras e os policiais que fazem a guarda nas guaritas teria contribuído para a fuga.
No entanto, o que mais chama atenção nesse caso é uma falha estrutural, apontada por agentes ouvidos pela reportagem. Segundo eles, as guaritas seriam supostamente mais baixas que o recomendado e, por isso, proporcionariam uma visão limitada aos policiais responsáveis pela vigilância. Construída há mais de cinco anos, se essa falha de fato dificulta a observação é inaceitável que uma obra de melhoria, e de suma importância, ainda não tenha sido executada. A PEL 2 é a maior unidade prisional da Região Metropolitana de Londrina. Tem capacidade para 960 detentos, mas abrigava ontem 1.009.
Se não há recursos disponíveis para a construção de presídios, uma necessidade haja vista que os distritos policiais estão superlotados, é de se esperar que as unidades que já abrigam detentos estejam em plenas condições de funcionamento e segurança. Para o próximo ano, o Depen anunciou a inclusão da PEL 2 no pacote de melhorias que o sistema deve receber e investimentos no aperfeiçoamento do sistema de vigilância por câmeras e na aquisição de radiocomunicadores. Já não era sem tempo.
A segurança pública deve receber investimentos constantes. Seja em aumento do efetivo policial e dos profissionais envolvidos no sistema, na melhoria da capacitação e dos treinamentos e na própria segurança dos distritos e penitenciárias. Se tudo isso não for feito de forma contínua, a situação só tende a piorar: população acuada e com medo em casa e os bandidos a agir tranquila e livremente.

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