Armas e coletes balísticos são, hoje, componentes indispensáveis no uniforme dos agentes da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) que, para se sentirem mais seguros, preferem contrariar determinação estadual - o porte de arma é proibido para agentes no Paraná - em vez de se exporem sem proteção. O sindicato justifica que se armar foi a forma encontrada para, pelo menos, ter a chance de se defender neste momento de crise.

A preocupação com a segurança dos agentes aumentou após o assassinato do colega de trabalho, Francisco Gonçalves Filho, em 22 de janeiro. Mas o secretário-geral do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná, Ademildo Passos Correa, lembra que o problema preocupa há mais de um ano, período em que outros dois agentes foram assassinados e as casas de dois foram metralhadas. De lá para cá, as coisas teriam piorado ainda mais com a transformação da PEL em unidade para presos temporários. O assunto será tema de seminário que será realizado nas próximas semanas em Londrina.

Em entrevista à FOLHA, Correa, afirma que não descarta que a morte do Chiquinho possa ter ligação com facções criminosas. Ele também aponta que é possível sim que outros agentes possam estar correndo risco de vida. Anteontem, por exemplo, ele recebeu a informação de que um agente teria recebido uma ameaça de morte por telefone.

Os agentes penitenciários estão andando armados?
Essa é uma reivindicação antiga. Estamos pedindo para o Estado implementar o porte de arma na carteira funcional, é um direito garantido no Estatuto do Desarmamento. Só que o governo é contrário. Os agentes, embasados na Lei federal, fizeram testes na Polícia Federal e compraram armas. Oficialmente, não têm o porte na funcional. A matéria tramita na Assembléia, já passou pela Comissão de Justiça, e deverá ser votada este ano.

A morte do Chiquinho tem relação com facções criminosas?
Não descarto nenhuma hipótese. O que não podemos é fazer merchandising de nenhuma dessas facções.

Mas existem facções dentro da PEL?
Existem pessoas que podem dizer que faz parte dessa ou daquela facção, mas não temos isso oficialmente. Existem muitos boatos.

Na noite do dia 13 de janeiro, presos de uma cela teriam sido agredido por agentes. Isso pode ter relação com o crime?
Primeiro, não acredito que os presos foram agredidos. Eles foram levados para o IML, fizeram exames e a perícia comprovou que não houve espancamento. O que houve foi que no dia, após o término da visita, os agentes promoveram revista. Foi detectado em um ''xadrez'' da sétima galeria que presos passavam alguma coisa para outro ''xadrez''. Os agentes interceptaram e solicitaram que todos saíssem para que fosse feita a revista. Os presos se recusaram mas, de alguma forma, tínhamos de fazer o nosso trabalho. Muitas vezes temos que usar força progressiva para tirá-los do ''xadrez''. Faz parte do serviço e não há violência. Eles foram retirados e encaminhados para o isolamento celular, para aguardar julgamento interno.

O Chiquinho participou desse episódio?
Na segunda-feira, ele estava de plantão e foi relatada a ocorrência. Como é feito sempre, ele foi checar e me parece que houve um desentendimento verbal.

Mas a morte dele seria coincidência?
Parece que o Chiquinho já vinha sendo ameaçado, embora não tenha nenhuma queixa disso. Não descarto essa possibilidade, assim como não descarto a possibilidade de envolvimento do crime organizado.

Tem outros dois agentes jurados de morte?
Essa é uma possibilidade que não posso descartar, até porque não tenho subsídios, nenhuma informação concreta. Fiquei ''satisfeito'', quando o secretário (de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari) enviou o COPE para apurar o caso do Chiquinho. Após o Carnaval, vamos discutir, em um seminário, a falta de segurança na função de agente penitenciário.

Mas houve ameaça de morte?
Os presos fazem isso para intimidar. Infelizmente, passou-se a semana toda e na outra terça-feira houve o crime. Estamos sofrendo com isso.

Existe orientação para que os agentes se protejam ou evitem locais públicos?
Isso é uma orientação geral não só em momento de crise como este, até porque somos uma categoria diferenciada. O agente tem que ser discreto também porque hoje a PEL é uma prisão provisória e a rotatividade de presos é muito grande.

Isso prejudicou a segurança?
O preso condenado vem sabendo o tempo que vai ficar. Para poder sair antes, sabe que vai ter que ter uma caminhada tranquila, vai trabalhar e estudar para poder sair mais cedo. É mais fácil lidar com o condenado. O provisório chega cheio de problemas e, muitas vezes, sabe que vai sair rapidamente. O provisório acha que vai ser absolvido, e na maioria das vezes, é. (Leia mais em Geral)

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