Luiz Geraldo MazzaSegurança: posse já
Se há um setor em que o governador não tomou posse ainda é o da Segurança. Trata-se de área do Executivo e, portanto, campo de suas prerrogativas hoje inteiramente assumido pelo Legislativo. Nunca na história recente do Paraná se viu tamanha deserção em favor da manipulação política (movimentação de delegados e de oficiais PM): um dos episódios mais lamentáveis foi o da saída do coronel Bortolini, homem de elite da corporação, comandante do Policiamento da Capital, afastado por uma crítica do deputado radialista Ricardo Chab e que serviu de base para a insólita pressão do presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury, indevida e intolerante, que só poderia ser absorvida por um governante fraco. Na esteira do absurdo, outro oficial de elite caiu, o comandante Maingué, solidário com seu camarada e indisposto a engolir a vileza das manobras políticas.
Para quem não tem memória é preciso lembrar que Bortolini foi um dos heróis da solução do sequestro de Marechal Cândido Rondon. Entre a majestade de um currículo e as conveniências, desprovidas de caráter, da baixa política, o governante fraco mais uma vez cedeu. Não cede, portanto, apenas aos interesses de natureza econômica, que estão vivos nas relações do seu grupo político junto a empresários e que hoje vão muito além dos limites da Cidade Industrial de Curitiba. E que alcançam pontas de lança como Karlos Rischbieter, executivo de uma constelação de empresas, cujas demandas foram atendidas desde o Badep, passando por outros postos como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Ministério da Fazenda, de cuja atuação o Paraná foi até privilegiado em casos como o da Volvo, da qual o ex-ministro é dirigente do Conselho Administrativo.
Primeiro ponto, assim, de qualquer providência na Segurança começa por essa postura elementar: recuperar a prerrogativa perdida e entregue a interesses que nem sempre conjugam com os da ordem pública, mas servem para proselitismo eleitoral. Devolva-se a Segurança ao Executivo. Com isso será possível, de uma forma bem mais racional, controlar as questões endógenas como aquela que está subjacente na denúncia do delegado Adauto de Oliveira, de que 33 policiais da Anti-Tóxicos teriam envolvimento com o narcotráfico. E já tivemos nítido envolvimento de policiais na área de furtos de veículos, flagrados em comandita no próprio aparato corporativo, durante um congresso da especialidade que se realizava em Curitiba. O ônus administrativo de uma polícia que não funciona é do governador e não dos beneficiários do Legislativo, que ‘‘faturam’’ politicamente a movimentação de delegados.AXIOMA
Quando o governo se ligou ao Rexona para o seu projeto de difusão do voleibol (e que nos deu o título feminino) e entronizou o Osvaldo Santos - que detonara a Leasing Banestado - na pasta do Esporte, houve quem lembrasse de um antigo anúncio do desodorante que mostrava um elevador cheio e com o título ‘‘Sempre cabe mais um’’. No governo, também. O odor disfarça.
EPIGRAMA O ‘‘é dando que se recebe’’ tem outra conotação no governo atual no ‘‘é dando que se percebe’’. Onaireves Moura voltando à Federação de Futebol tem a marca deste governo. Só falta agora comprar o Pinheirão, pagar ao Atlético Paranaense os milhões que pleiteia, como se fez nas indenizações do canal extravasor do Rio Iguaçu, e estaremos conversados e conservados.
BIZARRICE Se depois do programa de ontem do PPB, o governador e o Janene aparecerem abraçados é o caso de colocar ao fundo aquela música brega e caipira urbana ‘‘Somos dois sem-vergonhas’’. Aquela do Lindomar Castilho.
SPRAY Ipardes está contestando os números favoráveis ao PIB paranaense na revista gaúcha ‘‘Amanh㒒, que o governo alardeou.- A instituição não tem a obrigação de respaldar o triunfalismo oficial: para Gilmar Lourenço não há procedência na notícia de que o nosso PIB seja de 7,36% do nacional contra 7,32 do Rio Grande do Sul.- Em 1980, o esquema oficial era assim e deu-se à Copel a função de ocupar-se com demografia, deixando em segundo plano o Ipardes. Resultado dessa manobra política: a Copel previu uma população de 10 milhões para o Censo daquele ano, quando não passou de 7 milhões e 600 mil. O Ipardes ficou mais próximo da realidade, razão pela qual não deve embarcar no ‘‘frisson’’ promocional para não se comprometer como instituição técnica.- Os cenários projetados pela ‘‘Amanh㒒 (que opera, esclareço, melhor do que o Paraná com indicadores regionais) indicam que somos o quarto em PIB e que manteremos tal posição até 2.001, quando empataremos com os gaúchos em 8,28%.- Diferença entre nós e eles: gaúchos tiram partido de um número negativo para a alavancagem e aqui nós preferimos chutar (os 800 mil empregos do Lerner), o que é velha praxe.- Quem estava de papagaio de pirata no lançamento da Inepar em São Paulo era o ex-secretário Emerson Kapaz, como se saboreasse uma derrota paranaense, quando não tem nada a ver, a não ser em cucas obtusas.- O centro de excelência da Inepar em Araraquara é decorrente dos enlaces interativos da economia e da tecnologia.- Dia das mães amaciou a rapaziada no futebol e não houve quebra de ônibus. No Atletiba que vem, tudo volta à cena. Pau neles!-
Ida de Requião na CBN deixou o governo em frangalhos. Desde sábado os aspones esmiuçam as fitas gravadas e se irritam mais com aquilo que é verdadeiro do que com a ‘‘espuma’’, o lado mais engraçado.- Paranaeducação no crivo do Ministério Público, que aceitou a representação.- Outra que vem aí é a do PSDB contra os abusos de marketing do governo, mesmo sabendo que ninguém abusou tanto quanto Álvaro Dias no Iguaçu e na Telepar.- Gangue que assaltou banco e matou o capitão PM na região de Curitiba se escondeu no sítio do Cícero Catani, dono do tablóide ‘‘Hora H’’. Terror em cenário bucólico é demais.-
FOLCLORE O senador José Eduardo condena a intervenção de Maluf no PPB do Paraná, o que parece até autocrítica, já que ele fez, como presidente do PTB nacional, a mesma coisa aqui no regional para conter os lerneristas que o passavam para trás. Como dizia Ortega y Gasset, a ‘‘história somos nós e as circunstâncias’’. No Paraguai um candidato disse ‘‘Ortega y también Gasset’’.
CROMO Tanto o joão-de-barro, construtor de casas, como o castor, de diques, é incapaz de, por mais malvado que seja, dar uma de Sérgio Naya.
AFORÍSTICO Aníbal retorna hoje: amanhã vai haver noticiário político.

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