Segurança nas rodovias - Carlos Alberto Felizola Freire
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de setembro de 1998
Carlos Alberto Felizola Freire 
Nos próximos dias o paranaense terá a oportunidade de aproveitar o que se convencionou chamar de fim de semana esticado. Disporá de três dias - os curitibanos, de quatro, por causa do 8 de setembro, dia da padroeira da cidade - para descansar no litoral ou no interior, ou para visitar familiares distantes. E o que todos desejamos é que faça uma boa viagem por terra, mar ou ar.
Ao optar por uma viagem de ônibus ou carro, o que almeja o usuário da rodovia é trafegar numa estrada que lhe permita chegar ao seu destino, e dele retornar fisicamente íntegro e recomposto, e emocionalmente equilibrado.
Coloca-se, neste ponto, a seguinte indagação: qual o conceito de estrada segura? Seria aquela que apresenta os requisitos básicos de segurança, segundo os manuais adotados internacionalmente pelas entidades rodoviárias, como sejam: pavimentação adequada; existência de sinalização horizontal e vertical, inclusive noturna; serviço de assistência mecânica e de primeiros socorros médicos; serviço de comboio; meios de comunicação entre o usuário e o operador da rodovia; e policiamento rodoviário, entre outros?
Normalmente, o motorista ou usuário da rodovia responderia, sem pestanejar, sim. Este é o conceito que eu tenho de uma estrada segura. Incide, contudo, num erro elementar ao esquecer que ele próprio é uma variável da maior importância nessa equação complexa, em que interagem diferentes variáveis: a rodovia segura, o operador rodoviário, o motorista, o veículo e as condições de tempo.
Partindo-se do pressuposto de que a estrada oferece boas condições de segurança e de que o operador da rodovia dispõe de competência para bem realizar o seu trabalho, remanescem três fatores de fundamental importância que são normalmente subestimados pelo cidadão-motorista: o seu estado físico e emocional (situação pré-estressante), as condições de seu veículo e, por fim, mas não menos importante, a quase esquecida qualidade do tempo.
Há uma tendência natural do ser humano em atribuir as suas falhas a terceiros. E no caso de um acidente rodoviário, ele não foge à regra. O outro é sempre o culpado, salvo nos casos em que seja flagrante e incontestável a sua responsabilidade.
Queremos, com esta mensagem, convocar o motorista para um momento de reflexão, a fim de que ele possa agir como verdadeiro cidadão, e como membro de uma sociedade civilizada, dando efetiva contribuição para reduzir o número de acidentes, e de vítimas, o que tem convertido o Brasil em campeão de acidentes das estradas, deixando inúmeras famílias marcadas por sequelas quase sempre irrecuperáveis. Só quem já sentiu essa dor saberá avaliar a sua extensão.
Assim, antes de sair para viagem, avalie se você está em boas condições para dirigir; caso contrário, transfira a responsabilidade para outro. Verifique se o seu veículo está em ordem, conforme estabelece o manual do fabricante e preconizam as autoridades de trânsito. Consulte a operadora rodoviária (concessionária, nos casos em que há a concessão) sobre as condições de tráfego, e siga rigorosamente a orientação que dela venha a receber. Adiar sua viagem por mais meia ou uma hora não constitui nenhuma tragédia. E sobretudo, não esqueça de cumprir as normas do Código de Trânsito Brasileiro. Ele existe para proteger a sua vida, a de sua família, de seus amigos e de todo ser humano, enfim. Não seja transigente na sua aplicação.
Isto significa, na estrada, atender a alguns princípios elementares do bem dirigir: não ultrapassar a velocidade permitida; manter a distância adequada do veículo que está na sua frente; cumprir a sinalização; não jogar objetos para fora do veículo em movimento; não buzinar desnecessariamente; nunca trafegar pelo acostamento; não beber bebida alcoólica antes da viagem ou durante o percurso; não tirar as mãos da direção; sinalizar qualquer alteração de direção do veículo ou de condição anormal da rodovia ou do tráfego; não usar faróis altos quando ultrapassar o veículo que trafega em sentido contrário; só ultrapassar outro veículo em locais permitidos; não forçar a ultrapassagem; ao sentir os primeiros sinais de sono transfira a direção para outro; nunca parar no leito da rodovia, mas sempre no acostamento; e em caso de dúvida, consultar a polícia rodoviária ou o posto de pedágio, onde houver.
Assim procedendo, você motorista-cidadão estará protegendo a sua vida e a dos seus semelhantes. A segurança maior da sua viagem está, portanto, em você mesmo. Não aposte, apenas, na condição da rodovia. E não queira se arrepender depois de ter causado o acidente, pois se o prejuízo for só material você poderá recuperá-lo. Mas, vida, meu amigo, não se repõe. Desaparece.
Seja feliz e faça uma boa viagem.
- CARLOS ALBERTO FELIZOLA FREIRE é secretário-executivo da Associação Brasileira de Concessões Rodoviárias (ABCR) e ex-diretor do Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa)


