SEGURANÇA NA UEL - ''Querem fazer do campus um quartel''
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segunda-feira, 11 de junho de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Presidente da Associação dos Docentes da UEL (Aduel), que representa 320 professores, Evaristo Cólman afirma que a entidade é radicalmente contrária ao Plano de Segurança. Ele responde às recentes declarações do reitor e acusa a atual administração de tentar estabelecer, em moldes ditatoriais, um controle sobre a comunidade universitária.
O senhor não encontra nada de positivo no Plano de Segurança?
Nada. Porque não é um plano de segurança, mas um projeto de controle. Soubemos que foram tiradas fotos dos estudantes que se manifestaram na última audiência pública e que um pró-reitor deu a idéia de levantar se aquelas pessoas estão com notas boas ou faltas, ver a ficha corrida deles. Estão trazendo a lógica policial para dentro da UEL.
É a primeira vez que se observa tal postura na UEL?
Até reitores da época da ditadura, identificados com o regime, se opuseram contra a presença da polícia no campus. Ninguém em sã consciência na UEL é contra medidas de segurança, no entanto para isso não há necessidade de um plano extraordinário. Basta contratar os vigias que estão faltando e colocar mais iluminação.
A citação do reitor a ''grupos de ultra-esquerda'' que estariam patrocinando os protestos estudantis, feita em entrevista à FOLHA, se refere à Aduel?
Não sabemos. Isso parece ser um recurso de quem não tem argumento de defesa, e uma típica reação de quem é de direita. Acusar todos que se opõem a ele de serem traficantes, de ultra-esquerda ou repetentes, reflete uma mentalidade profundamente anti-democrática.
O chefe de segurança e autor do plano alega que a polícia hoje não é a mesma dos tempos da ditadura...
Todos sabemos como a polícia atua no Brasil. Recentemente até organismos internacionais têm denunciado o uso de torturas como procedimento investigatório no país. E basta conversar com qualquer jovem de periferia, para ver como são abordados e tratados.
A Aduel já questionou os dados sobre criminalidade apresentados pela administração. Acredita que os números são manipulados?
Não sabemos se são confiáveis. Curioso é que essas estatísticas comecem só em 2005. Teria que se tomar pelo menos um histórico de 10 anos, para ver se esses números mostram incremento significativo dos crimes. Além do mais, o relatório apresentado mostra um caso envolvendo entorpecentes em 2005, três em 2006 e um em 2007. E o reitor vem falar em campo fértil para o tráfico, francamente...
O que acontecerá caso o Plano seja colocado em prática?
Espero que isso não aconteça. Seria transformar a universidade num quartel, num condomínio fechado. Esse plano visa coibir o livre funcionamento das entidades, a circulação das pessoas, o convívio.
Os estudantes perderam uma oportunidade de expressar sua opinião ao inviabilizar a audiência pública com protestos?
Os estudantes não interromperam o evento. Quem o cancelou foi a reitoria, que não quis dar tempo igual para todos. Os estudantes estão tentando obter representação no Conselho de Administração (CA), mas são impedidos pela reitoria.
Defenderiam a realização de um plebiscito?
Não. Defendemos a rejeição do plano e ponto. Nossas brigas são por salário, autonomia. Se necessário (votar o plano), as assembléias gerais são a forma mais democrática, com tempo igual para todos falarem. Convoca e decide pelo voto direto.
Essa questão também concerne à comunidade externa?
A população está sendo envolvida com um canto de sereia, de que tem um administrador 'porreta' lá que vai resolver o problema de segurança da universidade e, portanto, estará credenciado para resolver o problema de Londrina. Espero que esse plano seja barrado.


