Um duro golpe na população paranaense que paga os impostos e financia a máquina pública do Estado. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que extinguia a aposentadoria de ex-governadores foi rejeitada em votação anteontem na Assembleia Legislativa. O objetivo do projeto era alterar o parágrafo 5º do artigo 85 da Constituição Estadual, que criou o benefício, ainda que sem equivalência na Magna Carta.
Para que a proposta passasse em primeira discussão, seriam necessários 33 votos a favor. Dos 54 deputados estaduais, apenas 24 votaram pela aprovação do projeto - menos da metade. Doze votaram contra a PEC. Mas a derrubada do projeto deve-se muito àqueles que não desceram do muro: 13 se abstiveram. Outros quatro parlamentares estavam ausentes do plenário.
Quem defende a manutenção do benefício aos ex-governadores afirma que a aposentadoria especial traz ''segurança econômica aos governantes'' e garantiria mais integridade aos beneficiários, que não precisariam se utilizar do título para obter vantagens após deixar o cargo.
''Se nós não queremos no poder um Executivo covarde, temos que protegê-lo'', afirmou o deputado Luiz Eduardo Cheida (PMDB) à reportagem da FOLHA. Ora, a integridade de um político não estará protegida pelo trabalho reconhecidamente benéfico para a população?
Quatro ex-governadores recebem R$ 25 mil por mês, cada um: Roberto Requião (PMDB), Orlando Pessutti (PMDB), Mário Pereira e Jaime Lerner. Quatro viúvas de ex-governadores também fazem parte da lista de beneficiários.
Agora a bola está com o Supremo Tribunal Federal. Diversas ações propostas por OABs de vários Estados, inclusive do Paraná, questionam a constitucionalidade do benefício. Resta esperar para conferir se a festa chega ao fim.

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