Segurança em Londrina
Adalberto Pereira
Foi publicado pela imprensa que o Sindicato das Classes Policiais (Sinclapol), com sede na capital, questionará judicialmente as atividades de investigação da Polícia Militar desenvolvidas pelo Serviço Reservado ou P2. No mesmo dia, o secretário de Segurança do Estado, Cândido Martins de Oliveira determinou, ao assinar a famosa resolução 106/99, o fim das ações da P2. A Constituição Federal determina essa atribuição à Polícia Civil, assim como a guarda das delegacias de Polícia, trabalhos esses executados em centenas de municípios pela Polícia Militar.
Vamos sim rever as funções de cada Polícia, mas de ambos os lados! Como as pequenas e grandes cidades farão o serviço de investigação policial? Nas pequenas há somente policiais militares, nas grandes falta pessoal para a Polícia Civil.
Um médico está preparado para receitar aspirina? O policial militar está mais que preparado para investigar. Nos serviços de investigação estão os melhores e mais experientes policiais militares.
Tenho a informação (não oficial) de que o efetivo da Polícia Civil no Paraná é de aproximadamente 3 mil policiais (entre investigadores, delegados e escrivães). Desse total, cerca de 1.500 policiais estão lotados na capital e na Região Metropolitana de Curitiba!
Londrina conta com cerca de 70 policiais civis, e destes somente 15 para o serviço de investigação. O secretário de Segurança, infelizmente, mais uma vez errou. A população é quem vai arcar com as consequências.
A cidade de Londrina tem o mesmo efetivo da Polícia Militar desde 1986, com 800 PMs, o que dá a média de 1 policial para cada 625 habitantes. A ONU diz que a proporção ideal é de 1 policial para cada 250 habitantes.
Nas delegacias lotadas se misturam presos condenados e outros aguardando julgamento. A Cadeia Pública de Londrina, que era para estar pronta, não passou dos alicerces.
A OAB e o Judiciário querem a interdição das cadeias por deixarem os presos sem o mínimo de condições sanitárias. Os concursados da Polícia Civil aguardam a nomeação, e as delegacias estão sem pessoal. As associações de bairro arrecadam dinheiro para equipar as Polícias...
A falta de estrutura da segurança é tamanha que foi preciso a sociedade organizada (Conselho de Segurança de Londrina, Conselho de Pastores, Associação Comercial e Industrial, Igreja Católica e outras entidades) se unir para cobrar do governo estadual o que é de direito dos cidadãos e da segunda cidade do Estado: segurança e tranquilidade para as famílias!
Segurança pública não é só um caso de polícia. O desemprego e as condições sociais do País são fatores determinantes para que a criminalidade e a violência sejam reduzidas.
Se uma equipe tem que jogar com 11 atletas e entra em campo com 10, já começa perdendo o jogo. Se o técnico tira outros atletas, só podemos concluir que, ou ele não entende nada de futebol, ou está querendo que o adversário vença!
É isso que está acontecendo na segurança pública, com o fim do Serviço Reservado da Polícia Militar. É o técnico jogando contra o próprio time e não escutando os clamores da torcida, que se pudesse gritaria ao secretário de segurança com toda a força: isto é uma vergonha!
- ADALBERTO PEREIRA é major da reserva da Polícia Militar e vereador pelo PFL em Londrina

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