O Brasil é um dos únicos países do mundo com condições de suprir a demanda mundial por alimentos. Com água em abundância, terras agricultáveis e tecnologia desenvolvida especificamente para o clima tropical, o País pode aumentar sua produção significativamente sem comprometer o meio ambiente. No entanto, se por um lado os produtores rurais têm feito a sua parte em investimentos, o governo - mais uma vez - deixa a desejar nas suas ações.

Reportagem do suplemento Folha Rural, discutiu a sanidade animal. Na opinião de especialistas consultados pela reportagem, a falta de investimentos no setor e a infraestrutura debilitada não acompanham o crescimento da produção agropecuária nacional. Este cenário pode voltar a causar graves prejuízos à cadeia produtiva se forem registrados novamente focos de febre aftosa em algum Estado.

O Paraná ainda sente os prejuízos provocados por seis focos da doença confirmados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento há seis anos. Levantamento divulgado há alguns meses pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná indica um saldo negativo de R$ 4 bilhões, dos quais cerca de R$ 1,8 bilhão provocados pela queda das exportações de carne bovina e suína. Cifras muito altas para o descuido revelado com a sanidade animal.

Outro fator que também exige atenção é a produção agrícola. Relatório das Organizações das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação indica que o investimento agrícola ainda é a melhor maneira para garantir a segurança alimentar sustentável a longo prazo. Além das intempéries climáticas, vários outros fatores contribuem para o aumento da fome no mundo, como a volatilidade dos preços das commodities, o crescimento e o envelhecimento populacional, a busca por biocombustíveis, entre outros itens. Os preços dos alimentos subiram cerca de 40% em quatro anos, a maior variação registrada nos últimos 30 anos.

Somente com investimentos do governo e leis que favoreçam a produção, o Brasil estará apto a aproveitar o bom momento. Além de incentivar as exportações, é preciso investimentos em agroindústrias. Aumentando o valor agregado dos produtos, a balança comercial será ainda mais favorável. O País não pode continuar a exportar apenas produtos primários.

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