A criação de cotas para os cidadãos negros seja no mercado de trabalho ou nas universidades, principalmente quando determinada por lei, com certeza supera em muito tudo aquilo que já ocorreu de ruim para os negros neste país.
Somente os negros inconscientes dos valores de suas origens podem aceitar este tipo de atitude. Os pseudos defensores das causas dos negros, que admitem esta aberração ideológica, mostram que são adeptos do masoquismo que em vez de lutarem de fato pelo respeito às leis de defesa dos diretos da cidadania em geral, limitam-se à prática de uma cultura segregacionista e oportunista com interesses obscuros que depõem contra os próprios negros.
Os negros que se orgulham de suas origens, que têm plena consciência sobre liberdade e dignidade, não se prendem a medidas protecionistas iguais a estas, que além de constrangê-los os fazem sentirem-se inferiorizados e incapacitados perante a sociedade. Aqueles que concordam com a criação de cotas para os negros precisam entender que na luta por espaços não se deve ignorar a essência dos direitos de igualdade (artigo 5º da Constituição Federal). Se este dispositivo legal não é valido para os negros, então está na hora dos negros iniciarem um movimento de integração social e através do Judiciário garantirem os seus direitos de fato.
Neste contexto, é de suma importância que os integracionistas façam primeiro um intenso trabalho de conscientização dos negros em geral, discutindo e refletindo principalmente sobre a realidade de que os negros não são aqueles somente de pele escura, mas sim todos os miscigenados de origem negra, a cor da pele não descaracteriza a raça.
Para se confirmar este conceito, basta juntar os negros e seus descendentes e saberão que são a maioria da população neste país e não a minoria como alguns institutos de pesquisas e estatísticas informam. A verdade está no índice populacional, principalmente dos estados de Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.
Se no Brasil os poderes legislativos e executivos são decididos pela maioria, porque então os negros são a minoria nos poderes constituídos? Será que este fato é originado pela secular e infeliz segregação existente entre os negros?
Se os adeptos desta ''lei de cotas'' quisessem realmente garantir na íntegra os direitos de igualdades para os negros que se sentem discriminados, deveriam aproveitar o momento das eleições majoritárias, para em tempo inscreverem vários candidatos negros comprometidos com estas causas, e através de ações estratégicas do ''movimento de integração'' buscar a credibilidade da maioria dos negros e eleger seus representantes nos Poderes Executivo e Legislativo, sem esquecer, porém, de imunizá-los contra o ''vírus do esquecimento'', que infesta os gabinetes e plenários deste país. Entre outras ações, estas com certeza são as mais eficazes contra qualquer tipo de discriminação, pois a criação de cotas para os negros oficializa vergonhosamente a segregação racial neste país.
SERVILIO DE SOUSA é presidente do Instituto Legionário São Judas Tadeu
Obs.: O autor é negro, tem graduação e pós-graduação em diversos ramos da engenharia, é também empresário da Área de Desenvolvimento Econômico, Social, Científico e Tecnológico.

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