Se der a lógica, Luiz Inácio Lula da Silva amanhece presidente do Brasil nesta segunda-feira. E promete para o mesmo dia o tão esperado anúncio dos nomes que comporão a sua equipe de transição, naturalmente com muitos dos que assumirão postos importantes no novo governo em 1º de janeiro.
A grande preocupação, principalmente de banqueiros e investidores que nos últimos anos financiaram a economia brasileira a juros pra lá de vantajosos, recai sobre o futuro time econômico do País. Dependendo do perfil do novo ministro da Fazenda e do presidente do Banco Central, saberão em que tom serão conduzidas as conversações sobre as fortunas que têm a receber do Brasil.
Em plena campanha eleitoral, Lula tem evitado adiantar nomes que integrariam o seu time, apesar das pressões neste sentido. A campanha mal havia começado e Pedro Malan já cobrava compromissos do partido com um ou outro nome, sempre a pretexto de tranquilizar o mercado. Mas se há um refrão que parece proibido no PT, por motivos óbvios, é o do ''já ganhou''.
De qualquer modo, para aplacar ansiedades, coordenadores da campanha petista têm dado uma pista: a equipe econômica em um eventual governo Lula será ''terceirizada'', com nomes de ''competência reconhecida'' e sem, necessariamente, carteirinha do PT.
Com isso, o partido sinaliza para um pacto na gestão econômica do País, que pede mesmo algo próximo a uma força-tarefa. A crise atual deixa pequena margem de manobra em curto prazo para o novo governo. Com dívida pública de R$ 650 bilhões, juros básicos de 21% ao ano, dólar a quase R$ 4, produção deprimida, consumo retraído, empresas endividadas, carga tributária pesada, Previdência quebrada, desemprego em alta e poder aquisitivo em baixa, desviar a economia nacional da rota da ''ruína'', temida pelo tucano José Serra, é missão para uma seleção de craques. Quanto aos nossos credores, não tem remédio. Vão precisar de um pouco mais de paciência.
Ruth Meira

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