Sediar Copa e também atender necessidades sociais
No momento em que o Tribunal de Contas da União se mobiliza para passar a limpo (dois anos depois) a evidência de corrupção pelo superfaturamento de gastos nos Jogos Panamericanos, realizados no Rio de Janeiro, é oportuno lembrar que daqui a cinco anos vai acontecer no Brasil a Copa do Mundo, e já se teme que algo semelhante se repita. Reforma de estádios e outras obras pertinentes ficarão a cargo de prefeituras, governos estaduais e também do federal, e os investimentos financeiros previstos são monumentais.
A denúncia contra o que aconteceu no Pan é uma amostragem, porque o que iria custar pouco mais de R$ 380 milhões subiu para R$ 4 bilhões. Nenhum brasileiro acredita que houve imprecisão de cálculos mas algo pior, e isto é o que agora o Tribunal quer apurar. No caso da Copa são 12 estádios onde se realizarão jogos e todos passarão por reformas, incluindo os dois gigantes (o Morumbi, que a abrirá, e o Maracanã, que fará o jogo de encerramento). Mas os gastos não serão apenas estes.
Há os que afirmam que o Brasil não está preparado para sediar esse evento, inclusive por falta de suficiente segurança aos visitantes (atletas e torcedores) e que melhor seria destinar as verbas com tal promoção para obras e atendimentos sociais, porque quase tudo relacionado com o serviço público está por reformular ou fazer, no Brasil. Mas não se deve chegar a extremos de rejeição, porque pode-se fazer muitas coisas ao mesmo tempo, ou seja, promover um evento mundial da envergadura do grande campeonato mundial e ao mesmo tempo arrumar a casa, em todos os seus cômodos. O que não pode é os governantes das cidades-sede de jogos só pensarem nisso. Alguns já estão gastando dinheiro em propaganda ufanista, caso de Curitiba. Certamente que não agradará à população envergonhar-se dos visitantes estrangeiros pela miséria social que irão ver no Brasil, associada à violência. A bandidagem certamente está aguardando essa Copa e também fazendo seus planos. E se houver amostragem pesada demais de pobreza e insegurança e notícias de superfaturamento por corrupção, o mundo inteiro irá ver e saber e isso será pior para a imagem do Brasil do que a glória de sediar o monumental acontecimento esportivo.
Mas o aspecto positivo para a economia será a mobilização de capital e a própria melhoria da estrutura de estádios. O ''País do Futebol'' tem o direito de abrigar a Copa do Mundo (de novo, porque já a sediou em 1950) e, como se disse, pode promovê-la (investindo dinheiro público nisso) e também cuidar, simultaneamente, das outras necessidades nacionais. Se houver bom senso, uma coisa não prejudicará nem invalidará a outra.





