Se não bastasse o sol, muitos londrinenses ainda enfrentam um calor extra provocado pelas queimadas nos matagais. Com a longa estiagem que afeta a região – a última chuva significativa que caiu em Londrina foi dia 24 de março –, aumentou o número de focos de incêndio em terrenos vazios em toda a Cidade.
De acordo com o plantão de ontem do Corpo de Bombeiros, todos os dias moradores de todas as regiões de Londrina telefonam reclamando de fumaça vinda de algum terreno da vizinhança que está pegando fogo. Até as 13h de ontem, mais de 15 pessoas já haviam telefonado.
Segundo o oficial da área, tenente Ezequias de Paula Natal, a grande maioria dos focos de incêndio é causada pelos donos dos terrenos ou por pessoas que passam pelo local e jogam tocos de cigarro ou até mesmo garrafas de vidro, que potencializam a luz solar num ponto da vegetação seca e provocam o início do fogo.
O tenente Natal explica que os bombeiros não têm condições de atender a todas as chamadas. A prioridade é para os casos que oferecem riscos de o fogo se alastrar e causar danos materiais em residências ou carros.
A região Norte de Londrina é a campeã de incêndios. Ontem, moradores da rua Cardeal Vermelho, no Jardim Paraíso, sentiram no ar ‘‘o cheiro do inferno’’.
Uma vasta área, à margem do Ribeirão Lindóia, estava queimando. Os moradores chegaram a telefonar para os bombeiros, mas ouviram que não seriam atendidos porque o fogo não representava perigo.
A família de dona Otília Froes Martins, de 65 anos, respirou muita fumaça. Ela mora há 20 anos na rua Cardeal Vermelho e aos domingos recebe os filhos, netos e bisneto para o almoço familiar.
Ontem, após o almoço, como acontece todos os domingos, a família se reuniu na calçada, embaixo da copa de uma pequena árvore para tentar se refrescar. Impossível, com a fumaça que vinha do terreno.
Dona Otília contou que na quinta-feira já havia pegado fogo. Daquela vez, os bombeiros vieram e interditaram o trânsito por causa do incêndio. ‘‘Além dessa fumaça, as taboas soltam uma fuligem preta que suja a casa’’,
Outro morador da vizinhança, o pedreiro Isaías Procópio Machado, 40 anos, tambeém reclamou da fumaça. ‘‘Tem que ficar com ventilador ligado o tempo inteiro para não sentir esse cheiro forte.’’

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