Quando uma crise irrompe nos Estados Unidos, o Governo central, em consonância com o Congresso, cuida imediatamente de suprir o povo de dinheiro. O faz por via de projetos emergenciais que não estanquem o entusiasmo nacional e o giro da moeda, mas ao contrário, que os disseminem, levantem a nação e irriguem a economia. Agora o presidente George Bush envia ao Senado um plano de estímulo à estabilidade econômica de 150 bilhões de dólares, e um senador democrata (que é do partido rival do governante no poder) ainda acrescenta uma emenda elevando o valor para 156 bilhões. Esta visa especificamente uma ajuda adicional aos aposentados cuja única renda seja a pensão.
‘‘Não podemos retardar um pacote de estímulo’’, declarou o Presidente. E o senador respondeu: ‘‘Concordo. Nós vamos ainda melhorá-lo e aprová-lo imedia-tamente’’. A meta conjunta é que a economia americana não entre em recessão, e inclui abatimento de impostos para pessoas físicas e incentivo fiscal para o investimento corporativo. Não fica nisso o plano, pois prevê ‘‘além de 500 a 1.200 dólares para cada aposentado’’ também o envio de um cheque extra de 300 dólares para cada criança. Uma pequena discordância está no valor desses cheques, porque a proposta de Bush é ainda mais generosa do que a do populista Partido Democrata.
Quando ocorreu o episódio terrorista da derrubada das torres gêmeas, o presidente Bush de pronto declarou: ‘‘O povo não pode (num momentos destes) ficar sem dinheiro’’. Porque dinheiro em poder dos cidadãos, abastecendo o meio circulante, é uma garantia quando algo balança a economia e gera intranqüilidade social. É assim que caminha a poderosa nação norte-americana, que se às vezes intervém arbitrariamente em outros países, sabe como zelar pela economia interna e pela estabilidade emocional de seu povo.
Diferente do Brasil, onde, se qualquer crise mais forte acontece - e isso foi assim em todos os governos - a primeira coisa que os governantes fazem é estreitar os canais do crédito, criando tamanha tensão que a crise real fica ainda mais robustecida por uma crise psicológica. E mais, cuidam de fazer mais estoque de moeda no Tesouro, quando deveriam irrigar a economia com ela.
As crises no Brasil são quase uma constante e sustentadas pela concentração da moeda em mãos do Governo, mas quase nem são percebíveis porque a nação já está acostumada e vai driblando-as como pode. Ao invés de favorecer a circulação do dinheiro – porque esta é a função (do Governo e da própria natureza do dinheiro) e assim arrecadar mais impostos por via do desenvolvimento e não do arrocho das alíquotas tributárias, os ‘‘sábios’’ monetaristas da redoma governamental brasiliense o retém, como que para garantir-se. E não se sabe garantindo-se do que se a alavanca do crescimento e propiciadora da paz social é a moeda fazendo o seu giro e gerando mais riqueza.

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