Se dirigir, não fale
O telefone celular revolucionou a comunicação entre as pessoas, disso não há dúvidas, mas seu uso equivocado contribuiu para o aumento dos riscos de acidentes de trânsito, principalmente para aquelas que combinam direção e telefonemas. E não é pouca gente, como mostrou ontem esta FOLHA.
No Estado, esse tipo de infração é a nona causa de multas, de acordo com dados do Detran/PR. Nos cinco primeiros meses deste ano foram 35.440 infrações. Em Londrina a situação é ainda mais perigosa. O município responde por incríveis 12,26% das ocorrências - com mais de quatro mil multas no mesmo período.
Na avaliação da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), não há falta de campanhas educativas nem de fiscalização. Apesar de esses dois itens estarem sendo cumpridos, pelo menos na versão oficial, alguma coisa está faltando. Não dá para negar. A mensagem não está sendo assimilada ou é preciso tornar a punição ainda mais dura.
Pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot) mostra o quanto teoria e prática andam separadas. Todos os motoristas entrevistados acham que falar ao telefone celular aumenta as chances de acidentes, mesmo assim 84% admitem aliar o aparelho e a direção.
Motoristas que fazem uso do telefone celular enquanto dirigem têm risco de três a nove vezes maior de se envolverem em acidentes fatais, apontam pesquisas. E para quem acha que usar dispositivos como viva-voz ou fone de ouvido está liberado, o alerta: o risco mantém-se no mesmo patamar.
Pesquisadores que estudam o comportamento humano no trânsito afirmam com base em seus experimentos: para mudar esse quadro é sim necessário fazer campanhas intensas de educação, inclusive com um trabalho mais vigoroso durante o processo de obtenção da carteira de habilitação.
É um processo longo, mas que precisa ser feito sistematicamente pelos órgãos do setor, sejam municipais, estaduais ou federais.





