As novelas, no Brasil, são um poderoso agente indutor de tendências e comportamentos. Assistidas regiamente pela maioria dos brasileiros pois a televisão alcança hoje todos os pontos do território nacional as novelas são os programas de maior audiência e capazes de ditar modas e modismos, mudar hábitos e valores, sepultar velhos conceitos e criar novos, tudo isso para melhor ou para pior. Se o advento da televisão mudou sistemas de vida, certamente piorou os relacionamentos humanos e desagregou as reuniões de família. O advento da internet agravou esse problema, embora a suposição de que esse moderno sistema de comunicação fez o mundo menor e mais interligado. Tal é ilusório porque as pessoas passaram a conversar menos frente a frente, convertendo-se em espécie de robôs, que se falam e se entreolham apenas virtualmente, sem emoção e sentimento. Mas se a TV é tão poderosa, se poderia extrair dela o melhor e ir eliminando as coisas nocivas, como o culto à violência, através de programas (e novela com sua parte), filmes e a sobrecarga de difusão do noticiário denso e impregnado de relatos de infortúnios humanos, de sangue e morte. Tão violentos quanto esses fatos são os tratamentos dados a eles na forma de divulgação sensacionalista, sempre com o requinte do espetáculo. Não há dúvida de que a atmosfera do telespectador fica muito carregada depois desses momentos diante da televisão. Mas se isso tudo é muito ruim, surpreende até porque é raro quando bons ensinamentos são deliberadamente transmitidos, por via das novelas, dos programas e do noticiário, de filmes, de entrevistas edificantes e de outras formas. O anúncio institucional da tevê que ressalta virtudes humanas e faz a pregação explícita da solidariedade e de outras práticas do bom relacionamento e do bom comportamento, é boa difusão de uma moda que pega. O espírito da mensagem tem exatamente esse sentido: ''Se a moda pega...''. A persistência de campanhas do gênero, se acompanhadas de uma melhor qualidade da programação e da eliminação das nocividades, pode levar a extraordinária mudança comportamental, para melhor, sobretudo das crianças e adolescentes. Os bons exemplos em novelas e outros programas, e mensagens como a da ''moda que pega'', realmente pegam. Os telespectadores assistem com simpatia a mensagens assim e passam a acreditar mais nos bons resultados da solidariedade e da manifestação dos próprios atributos, que estão latentes mas necessitam de estímulo para serem despertados. Um olhar para esses aspectos mais belos da vida desviam as atenções da pesada carga de notícias ruins que, no momento, emanam sobretudo do círculo governamental e são tão nocivas para o astral das pessoas.

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