As dificuldades enfrentadas pelos quatro hospitais universitários (HUs) do Paraná, relatadas em matéria nesta edição da FOLHA, são sentidas diariamente pela população que necessita de atendimento. Falta de recursos para investimento, deficit orçamentário, quadro reduzido de servidores e dificuldades no atendimento são problemas crônicos da saúde em geral no Brasil. No caso dos HUs, os recursos são oriundos do Sistema Único de Saúde (SUS), o que gera graves problemas de caixa. O mesmo ocorre com entidades filantrópicas.
É urgente a necessidade de se discutir o atual modelo de saúde pública. Assim como vários outros serviços públicos, o gerenciamento do SUS é feito para priorizar ações emergenciais, em detrimento de medidas estruturantes, há o subfinanciamento dos procedimentos e políticas inspiradas meramente em fins eleitoreiros. Como sempre ocorre, procura-se conceder algum alívio para os problemas já existentes, mas não se resolve a causa dos males e, tampouco, a sua erradicação. Não faz parte do planejamento brasileiro buscar soluções que resolvam o problema a longo prazo.
A tabela de preços do SUS precisa ser corrigida urgentemente. Não é novidade que os valores pagos não cobrem todos os custos. Por isso, hospitais públicos e filantrópicos acumulam dívidas. É preciso que o governo faça a sua parte. Se, ao menos em tese, o SUS é um bom programa de saúde pública – uma vez que oferece atendimento universal a todos os brasileiros – é preciso aprimorá-lo e fazer com que funcione bem.
Além de mais médicos, os brasileiros precisam de agilidade na realização de exames, procedimentos e cirurgias eletivas. A população tem que ser atendida com alguma dignidade. Cenas de pessoas morrendo às portas de hospitais, de pacientes que foram operados erroneamente, internados em corredores
e ambulatórios lotados precisam ser
erradicadas.

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