Reações adversas graves são raras
Resfriado leve não é impedimento para tomar vacina




Em pleno século XXI ainda há quem tenha medo de tomar vacinas. Os pais muitas vezes acabam postergando e se esquecem, mas há aqueles que optam por não vacinar os filhos por medo dos efeitos colaterais. Muitos adultos também morrem de medo, não exatamente da agulha, mas do que podem sentir depois de vacinados. Na última campanha para vacinação contra a rubéola para pessoas em idade reprodutiva, por exemplo, não faltaram teorias conspiratórias circulando na internet.

Com a aproximação do inverno, logo começarão as campanhas para vacina contra gripe. Segundo o infectologista Arilson Akira Morimoto, é comum as pessoas temerem os efeitos colaterais das vacinas, mesmo que sejam poucos. Segundo ele, muitas vezes os supostos ''efeitos'' ocorrem mais por culpa de quem aplicou a injeção do que pela vacina em si.

''Na maioria da vezes, o efeito colateral nem é da vacina. Pode ser que (a pessoa) tenha contraído um resfriado concomitante ou estava tendo uma outra doença junto e foi atribuído à vacina'', explica ele. Confira mais na entrevista a seguir:

Ainda hoje são muitos os pais que não vacinam os filhos? Por quê?
Sim. Existem vários motivos, desde motivos culturais. O principal motivo é quando a criança está com febre baixa ou pequenos resfriados. Eles veem a criança resfriada e adiam uma semana, depois esquecem. Hoje a contraindicação verdadeira seria a febre elevada, acima de 38 graus.

E tem muitos pais que não vacinam os filhos por medo dos efeitos colaterais?
Também tem. Em toda vacina existe um risco. Mas o efeito colateral em geral é benigno. Existem algumas situações, mas são poucas em relação ao número de doses feitas. E isso por si só não tem razão dos pais temerem.

E quais as consequências para outras crianças o fato de algumas não serem vacinadas?
Acaba criando ''bolsões''. Vamos supor que em uma escola cinco crianças não sejam vacinadas contra o sarampo. O que acontece? Essas crianças estão suscetíveis. Se uma delas pega sarampo por si só não vai ter grandes prejuízos, mas aí é uma, mais uma, mais outra, é mais complicado. E se ela viaja, acaba trazendo o sarampo para cá. Para as pessoas vacinadas, o máximo que vai acontecer é uma doença mais branda, porque já tem as defesas. O problema são as que não estão vacinadas. Ela acaba sendo um risco para ela mesma, porque se torna suscetível. Essa pessoa pode causar uma epidemia de sarampo na comunidade.

Tem algum perigo dos casos serem mais graves?
Imunidade é um fator de conhecimento. A vacina faz com que a pessoa aprenda a lidar com a doença ou que a doença seja mais branda. Quem já está vacinado a doença, se ocorrer, vai ser mais branda do que em quem não foi vacinado. E muitas vezes é uma infecção inaparente. Você pega, não sente nada, mas se fizer algum exame vai aparecer que pegou a infecção. Diferente das pessoas não vacinadas.

Quando a pessoa não sabe lidar com o micro-organismo, o que acontece? Ela tem uma infecção em forma de doença, com sintomas clínicos. A doença é uma manifestação clínica da infecção. Nem sempre nas infecções eu vou ter essa manifestação.

A não vacinação para doenças erradicadas no Brasil não se justifica devido à facilidade de viagens internacionais, correto?
Em alguns países existe a obrigatoriedade de determinada vacina. Se você viajar para a Bolívia, você tem obrigatoriedade da vacina da febre amarela, isso em uma carteirinha internacional. Alguns países exigem algumas vacinas, para não introduzir micro-organismo não existente lá ou que já está erradicado no país. Essa relação pode ser conferida no site da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) ou na Embaixada do país que você for visitar.

Em alguns lugares as doenças não estão totalmente combatidas. O ideal é o pai verificar quais são as vacinas que são obrigadas a tomar e se está ocorrendo alguma epidemia na região. Se a pessoa não vacinar hoje, ela tem que estar ciente de que se for para outro lugar, é importante saber o que está acontecendo por lá.

O perigo também é o pai não vacinar o filho, vir alguém de um local onde está havendo alguma doença e ela adquirir a doença.
Exato. E principalmente quando a gente fala de contatos, como sarampo, rubéola, caxumba, eu não preciso de um vetor, com em outras doenças que eu preciso de um mosquito. Nesses casos a transferência é entre pessoas.

Por que surgem tantos mitos e teorias sobre as vacinas?
O grande problema da vacinação é como a história do telefone sem fio. Um vai contando para o outro, que vai contando para o outro e isso vai pegando mal. Também tem casos onde você não tem nada, toma a vacina e tem um pequeno mal-estar, que são pequenos efeitos colaterais, mas para um paciente que nunca tem nada, é muito.

O mais frequente é dor no local, um pouco de febre e mal-estar. A vacina pode dar um pouco de mal-estar, é uma medicação que foi introduzida. Reações adversas graves com vacina são raras. E tem a história da propaganda, 99 pessoas que tomam não sentem nada e não dizem que a vacina é boa, uma que tem alguma coisa vai falar que não passou bem e isso vai correndo de boca em boca.

Quando fizer a vacinação e tiver algum efeito, procure um médico para saber se é plausível da vacina ou não. Muitas vezes se atribui a culpa ao que está mais próximo. Isso a gente vê com muita frequência.

O que é mito e o que é verdade?
Resfriado leve não é impedimento para tomar vacina. Muitas vezes a reação local é problema de quem aplicou, não da vacina. O uso de antibióticos não impede de tomar vacinas. Esses são os mais frequentes. No aleitamento, algumas vacinas são indicadas, outras não. Algumas vacinas não devem ser aplicadas em gestantes de forma alguma, mas nem todas são contraindicadas. A vacina contra rubéola não deve ser aplicada em qualquer período da gestação. A antitetânica pode ser aplicada durante a gestação, porque protege o recém-nascido também.

mockup