SAÚDE No limite da exaustão
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terça-feira, 29 de abril de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Não são somente curativos, cuidados e demais expedientes que tomam a cabeça dos empregados da saúde. Com salários baixos, os profissionais da área estão em seu limite, e há motivos de sobra para reclamar no Dia do Trabalho, comemorado amanhã. Pelo menos é o que afirma a coordenadora do Sindicato dos Empregados da Saúde, Magda Alves de Ataides. Nesta entrevista, ela aponta o estresse gerado pelo excesso e pelas condições de trabalho como maior vilão neste processo. ''Chega uma hora que o organismo responde ao excesso de estímulos e à falta de repouso'', afirma.
Como anda a saúde de quem cuida da saúde?
A saúde do cuidador anda abalada. Não se cuida de quem cuida da saúde. As pessoas estão saindo de um emprego para outro e, se outrora com um emprego se mantinham, agora precisam se desdobrar em jornadas duplas e muitas vezes triplas para se manter. Não sobra tempo para o lazer, para ir ao médico e, mesmo estando diante de médicos, não temos tempo de nos consultar.
Quais sintomas tem notado nos prestadores de serviço à área da saúde?
Síndrome do pânico, estresse, hipertensão arterial, varizes, já que as pessoas não podem repousar durante o dia - acarretando problemas vasculares -, além de problemas cardíacos. Por incrível que pareça, houve um aumento, também, no número de separações. Como as pessoas estão sempre com suas agendas tomadas, o cansaço do marido e da esposa serve como motivo suficiente para a perda de contato. A cobrança sobre enfermeiras e enfermeiros trouxe, também, outro dado bastante triste: a incidência de muitos casos de suicídio.
De todos os sintomas citados, qual considera o pior?
Os psicológicos, sem dúvidas. E mais: esses sintomas se manifestam da pior forma, pois somente depois que o profissional está sob os efeitos ou a influência é que nota a diferença. Só quando a pessoa desenvolve a primeira crise ela de fato se dá conta e pára. Os patrões são, então, obrigados a liberar esse funcionário para ir se tratar.
Há também a incidência de acidentes biológicos?
O excesso de trabalho resultou no aumento do índice de acidentes biológicos. Os profissionais estão cansados, lutando contra o próprio sono, e muitas vezes perdem a batalha, acidentando-se com uma agulha ou um material contaminável. Os trabalhadores da área da saúde estão no limite da exaustão. Chega uma hora que o organismo responde ao excesso de estímulos e à falta de repouso.
E o que a senhora vê como solução?
A redução da carga horária de 44 horas para 40 horas semanais, sem alteração no salário, que é o que estamos pleiteando. Na área da enfermagem, trabalhamos em média de seis a oito horas diárias. Na área da saúde, são 30 horas semanais, sobrando tempo para as pessoas descansarem. Pleiteamos também a educação continuada: às vezes um profissional pode cometer um erro, como reencapar uma agulha, o que não se usa. Tive notícia, esses dias, inclusive, de dois acidentes biológicos decorrentes desse fato em Londrina.
A defasagem salarial também é uma vilã?
Com certeza. Além das jornadas duplas e triplas, semanais, os profissionais optam, no final de semana, ao invés de ficarem com a família, por mais uma atividade. Tudo isso é resultado do achatamento salarial. Como a remuneração não está boa, vemos muitos profissionais fazendo malabarismos, sacrificando seus finais de semana.
Serviço
A Festa do Trabalhador em Londrina acontece amanhã, no Autódromo Ayrton Senna. Os shows vão das 13h às 18h, com distribuição de prêmios, por meio de sorteio. Demais detalhes pelo telefone (43) 3324-6911 (SinSaúde).


