Todo governante, para posar de liberal avançado, fala no ''social''. Sarney, quando presidente, cunhou o ''teaser'' sintético ''tudo pelo social''. Na gestão pública o desenvolvimento social se faz representar pela tríade ''saúde, educação e segurança''. Justamente aí, em que mais se exigiria a presença do Estado, tudo está abandonado como se vê cotidianamente.
Ainda ontem a reportagem desta FOLHA se ocupou da crise na saúde visível na superlotação dos prontos-socorros dos três maiores hospitais de Londrina e ainda no pedido do Conselho Municipal de Saúde para investigar os repasses feitos às Oscips, alvo de denúncias do Ministério Público, de terem supostamente pago propinas a agentes públicos.
Como se não bastasse a carência notória do setor, e que se torna muito mais flagrante em grandes centros, ainda lavra aí a corrupção e que coloca mal a imagem do terceiro setor convocado justamente para intervir com flexibilidade numa área em que o esclerosamento burocrático é fatal.
Há a evidência, tantas vezes comprovada, de que o governo estadual não aplica o percentual constitucional, como volta e meia reclama o Ministério Público por causa da artimanha de a administração incluir despesas como saneamento e até o ''leite das crianças'' como se parte fizessem da profilaxia. Ainda agora o governador Beto Richa se valeu dos R$ 10 milhões, resultantes da economia da Assembleia Legislativa, para hospitais.
Há ainda o caso dos centros de atendimento para mulheres e crianças e debelar os altos índices de natimortalidade e de morte materna, criados pelo governo e que não funcionam, alguns dentre 34 sem receber pacientes por falta de móveis, equipamentos e funcionários. A Secretaria Estadual de Saúde se empenha um novo uso para essas e mais 90 delas ainda em construção. Pelo quadro a saúde não está na UTI e sim em estágio de extrema-unção em nível nacional, estadual e municipal.

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