Frente a uma pandemia, é absolutamente esperado percebermos mais a sensação de impotência, de perda de controle, aumentado ainda por estarmos vivenciando esse sentimento de forma coletiva. As pessoas que já são mais ansiosas tendem a perceber um aumento dos seus sintomas, mas mesmo quem não é tão ansioso assim relata certo desconforto. O medo é uma sensação normal ao perceber que não temos controle sobre a situação que estamos experimentando.

A saúde mental pode ficar bastante abalada, e cabe lembrar que a saúde física e mental estão intimamente ligadas, de forma que pode haver impacto importante sobre a saúde física quando a “cabeça não está 100%” (quem nunca sentiu dores de cabeça em um período de estresse, por exemplo?). Dessa forma, é importante focarmos também nessa área, tão esquecida por nós, de modo geral.

Algumas atitudes são importantes para se sentir um pouco mais confortável nessa época. A parte física é essencial e não pode ser sacrificada. Tente praticar algum tipo de exercício e cuidar da alimentação. Vários profissionais têm ofertado de atividades variadas (yoga, alongamento, zumba) via internet, gratuitamente.

Uma boa pedida é fazer meditação. Para quem tem a mente mais agitada, é possível começar com a meditação guiada, que vai dando as orientações com música de fundo. Há vários aplicativos disponíveis (inclusive de forma gratuita) nesse sentido.

Você também precisa continuar fazendo coisas que gosta. Ouvir aquela música que aprecia, fazer um curso on-line ou ler aquele livro esquecido na estante, por exemplo.

No sentido de ocupar o tempo, que tal aproveitar para arrumar aquele armário bagunçado, colocar em ordem os arquivos ou fotos do computador ou organizar a caixa de e-mails?

Conectar-se com pessoas que gosta, ainda que virtualmente, é importante também. Não é porque estamos em isolamento físico que precisamos nos isolar emocionalmente! Telefone, WhatsApp e Skype são algumas das ferramentas para se conectar com familiares e amigos que não podem estar juntos nesse momento. Também aproveite o tempo para conversar e interagir com pessoas que estão na sua casa, seja para falar sobre o trabalho, estudos, como está se sentindo ou até mesmo para jogar aquele jogo antigo parado na estante. Não se isole!

As crianças são muito mais espertas do que os adultos imaginam. Convém explicar a eles o que está ocorrendo adequando a explicação à faixa etária, sem causar alarme e explicar que se trata de algo temporário e daqui a pouco todos estaremos retomando as atividades normais. Também não se preocupe com a possibilidade de eles ficarem entediados (isso é absolutamente normal, e você não é um pai pior por isso). Caso eles relatem esse sentimento, que tal usar esse “gancho” para falar sobre emoções? Explicar que você também se sente assim, lembrar de outras épocas em que também se sentiu dessa forma e como passou por isso e convidar a criança a sugerir atividades que vocês possam fazer em casa juntos. Isso pode ser uma opção agradável e melhorar ainda mais o vínculo com os filhos.

Para as pessoas que fazem algum tipo de tratamento médico, é preciso continuar seguindo-o. É normal se sentir nervoso ou com medo, mas se você está em tratamento médico, não pare a medicação. A parada da medicação nesse momento pode piorar ainda mais a sensação de impotência e insegurança.

Se você perceber que está extremamente sobrecarregado, ansioso ou depressivo, procure seu médico, psicólogo ou familiar e não esqueça do CVV (número 188). A Prefeitura de Londrina também cadastrou voluntários para atendimento de apoio psicológico (informações no telefone 0800-4000140). Não tenha medo ou vergonha: se sentiu necessidade, peça ajuda!

Flávia Regina Padilha, psiquiatra em Londrina

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