Uma cidade como Londrina, considerada referência no tratamento de diversos problemas de saúde, com profissionais que ganham destaque pela tecnologia desenvolvida em áreas de alta complexidade, não conta com um atendimento específico a queimados. O problema veio à tona no último sábado quando uma explosão causada por vazamento de gás em um açougue deixou duas vítimas em estado grave.
O dono do estabelecimento precisou ser levado para um hospital no interior de São Paulo. A única unidade que presta esse tipo de atendimento no Estado, e que fica em Curitiba, não tem leito vago. A outra vítima, um funcionário de 23 anos, está internado na UTI da Santa Casa de Londrina. Ele teve 80% do corpo queimado e seu estado é grave.
Para quem imagina que esse tipo de atendimento pode ser relevado a segundo plano, a reportagem que a Folha publica hoje mostra que o Hospital Universitário atendeu, só no ano passado, 221 casos de queimaduras, com seis mortes.
O mais grave: o único hospital no Estado, o de Curitiba, que atende queimados está sempre lotado. Enquanto as autoridades da Saúde fazem vistas grossas ao problema, as pessoas são obrigadas a enfrentar situações constrangedoras. Parentes das vítimas do acidente ocorrido em Londrina dependem de doações da população para cobrir os gastos com a transferência das vítimas, que custará R$ 12 mil.
Luka Morais

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