Hospitais lotados, equipamentos sucateados e baixos salários dos servidores. O cenário da saúde pública no Brasil não é dos melhores e, segundo o presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), Gérson Zafalon Martins, a falta de regulamentação dos investimentos é a principal responsável por essa situação. Em entrevista à FOLHA, ele falou ainda sobre a formação de novos médicos, a abertura do mercado de trabalho e a responsabilidade social dos profissionais da saúde.

Como o senhor avalia o ensino de Medicina nas universidades paranaenses?
Os últimos resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) atestam a qualificação das escolas médicas paranaenses, equilibrando-as entre as melhores do País, em que pesam as dificuldades enfrentadas pelas nossas instituições públicas, uma federal e três estaduais.

Podemos dizer que nós, pacientes, estamos em boas mãos?
Sim, haja visto o grande número de atendimentos médicos feitos no Paraná com elevado grau de resolubilidade, já que somente no Sistema Único de Saúde (SUS) são internados quase 70 mil pacientes por mês. Apesar das deficiências dos serviço público, o grau de satisfação dos clientes atendidos é superior a 85%. Ressalta-se que, na área dos transplantes, o de medula do Paraná é referência mundial, bem como nos transplantes cardíacos, hepáticos e renais.

O que fazer para resolver as deficiências que ainda existem?
Precisa regulamentar os investimentos na área da saúde. Vou citar o exemplo dos Hospitais Universitários, que não tem orçamentos fixos e chegam no final do mês sendo obrigados a pedir ajuda de recursos para manter o número de atendimentos. Isso não pode acontecer. O orçamento tem que ser fixo, para saber o quanto recebe e quanto pode gastar. Do jeito que está sendo feito hoje dificulta o planejamento. Aí o médico não tem condições de atender, porque o aparelho está quebrado, falta remédio por erro de licitação, e a culpa cai sobre ele. Infelizmente os médicos estão carregando o piano.

Ainda há espaço no mercado para novos médicos?

No Paraná temos um profissional para cada grupo de 600 habitantes. Na Capital, essa relação cai para menos de 300, observando-se a maior concentração de médicos. O número de vagas de Medicina nas escolas médicas do Paraná é de cerca de 700 por ano. Considerando o fluxo previsível que ocorre, é compatível às nossas necessidades.

A responsabilidade social do médico tem sido deixada de lado em alguns casos, em nome do faturamento?
A responsabilidade social do médico é inerente à profissão e o alvo de toda atenção é a saúde do ser humano, em benefício do qual deverá agir com máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional.

Estados como São Paulo e Espírito Santo criaram Exames de Egressos para avaliar os estudantes recém-saídos das universidades. O que o senhor acha dessa idéia? Poderia ser implantanda aqui no Paraná?
São os primeiros passos para o estabelecimento de regras legais para determinar que os profissionais cheguem ao mercado de trabalho com a melhor preparação possível. Por enquanto são experiências, sob estímulo de adesão, para que o próprio recém-formado faça a autocrítica sob estar ou não com o necessário preparo. O Paraná vê com simpatia a proposta e a expectativa é de que projetos de lei que tramitam no Congresso e tratam da proficiência possam ter a discussão esgotada para a fixação do melhor modelo para um País que tem, hoje, 171 escolas médicas, o maior índice do Mundo considerando a proporção populacional

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