SAÚDE DO TRABALHADOR - Dor nas costas aumenta procura por médicos e gera afastamentos
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quinta-feira, 22 de abril de 2010
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
Quem nunca sentiu dores nas costas? Neste instante, de cada grupo de dez pessoas pelo menos três estão sofrendo com o problema. Esta é a primeira causa de afastamento no trabalho, o segundo motivo de visitas ao médico e o quinto em internação hospitalar. Pelo menos 30% da população brasileira sofrem com o problema, que pode desencadear irritabilidade, distúrbios do sono e até depressão. Os mais afetados são pessoas economicamente ativas, o que gera um impacto econômico altíssimo.
As informações são do neurologista Pedro Garcia Lopes, que alerta: ''As dores nas costas são causadas pela postura ruim e pela falta de prevenção. Pouca gente se preocupa com a coluna e com as musculaturas das costas.'' Nesta entrevista, o médico discute as causas do problema e alerta que se a dor não for tratada pode piorar e se tornar crônica.
Qual é o impacto econômico gerado pelos casos de dor nas costas, que o senhor aponta como a principal causa de afastamento do trabalho?
Quem sofre com dores nas costas, na maioria das vezes, são as pessoas que desempenham trabalho braçal. Quem trabalha na frente do computador o dia todo também sofre com o problema se não tiver uma postura correta. E não tem jeito do médico provar que o indivíduo está ou não com dor. Isso é um fator que aumenta o impacto econômico, pois a pessoa alega que não pode trabalhar porque está com dor e o médico não tem como garantir que isso não está acontecendo. A quantidade de funcionários da construção civil que procuram o hospital ou o médico devido a dores nas costas é impressionante. O número de ausências é muito grande. O impacto econômico é maior do que as pessoas imaginam.
As organizações deveriam buscar meios para prevenir o problema?
As grandes empresas já estão fazendo isso. Há organizações que se preocupam em colocar os funcionários que trabalham na frente do computador em uma posição correta, buscando cadeiras próprias com altura adequada e com proteção dos pés. Vejo que as empresas estão otimizando as formas de prevenção, oferecendo alongamento, por exemplo.
Mas pouca gente se preocupa com a coluna e com as musculaturas das costas. A pessoa pode fazer academia por duas horas, mas ela faz algum exercício para a coluna? As dores nas costas são causadas pela postura ruim e pela falta de prevenção.
A dor nas costas é o segundo motivo que leva as pessoas ao médico e o quinto motivo de internação hospitalar. Então o problema custa caro para a saúde pública?
Custa muito para tudo. Fora a dor nas costas natural, há as que caracterizam as doenças de coluna, como a hérnia de disco, os tumores e a degeneração. São doenças que provocam dores e fazem com que as pessoas procurem o médico e o hospital.
A dor pode tornar-se crônica?
A dor sintomática, decorrente de problema de postura ou de falta de exercício para a coluna, pode, sim, piorar e se tornar uma dor crônica.
Utilizar salto alto com frequência é muito prejudicial à coluna da mulher? E as ''rasteirinhas''? Qual o calçado ideal?
Se for um salto apropriado que deixe o pé na posição correta, a coluna não será prejudicada. As rasteirinhas causam dor na sola do pé e não na coluna. Não existe um sapato ideal. Tudo depende da estrutura da mulher e do que ela está acostumada a usar.
A criança que carrega mochila muito pesada pode desenvolver problemas na coluna futuramente?
Isso causa dores nos ombros. Até pode causar dores nas costas, mas não altera a coluna. O importante é a maneira como a criança usa a mochila. Ela deve colocar as duas alças nas costas, utilizando-a corretamente. Existem as mochilas de rodinha para a criança não precisar usar a bolsa nas costas. É uma boa opção.
Quem usa bolsa para trabalhar, como os carteiros, sofre muito com dores nas costas. Seria interessante que eles utilizassem uma bolsa de rodinha. Hoje, muitos representantes de medicamentos, por exemplo, já usam a bolsa de rodinhas. Isso é bom.
A dor sintomática, por problema de postura ou falta de exercício, pode se tornar crônica


