As deficiências do Sistema Único de Saúde (SUS) são velhas conhecidas da população. Espera de horas à frente de hospitais e prontos-socorros, meses para marcar uma consulta com médico especialista e, depois, para realizar procedimentos, espera de anos por uma cirurgia eletiva e por aí vai. Embora todos os brasileiros tenham direito garantido à saúde, como prevê a Constituição Federal, na prática todos sabem que isso não ocorre.
Entrevista publicada no domingo discute o tema. Na opinião do médico norte-americano Robert Janett, professor da Harvard Medical School, de Boston (EUA), o atual modelo brasileiro é caro e não atende bem a população. Até aí não há novidade. Se em tese o SUS é um dos melhores modelos do mundo porque oferece assistência universal e gratuita, na prática todos sabem que o seu funcionamento está aquém das necessidades das pessoas. A proposta apresentada pelo médico e que já funciona nos Estados Unidos é de montar um sistema centrado no paciente, que faça o seu acompanhamento e crie vínculos com o profissional realmente parece o mais adequado porque permite um conhecimento amplo do paciente, além de atuar na prevenção.
O Brasil estaria nesse caminho se o Programa Saúde da Família que, aliás nasceu em Londrina, funcionasse bem. Em muitas localidades não há médicos suficientes para atender a população, além da tradicional falta de recursos para programas públicos. Portanto, é preciso aperfeiçoar o sistema. Além de trazer médicos estrangeiros que, aliás, contam com a simpatia da população atendida, é preciso aprimorar programas existentes e garantir que o acesso à saúde seja pleno.
Se os recursos existem, é preciso que sejam aplicados corretamente. Denúncias de descaso são frequentes. Estruturas prontas à espera de equipamentos ou grandes equipamentos encaixotados: infelizmente esse cenário faz parte da realidade do País. Os brasileiros precisam lutar para garantir a correta aplicação dos recursos e fazer valer seus direitos.

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