A cárie acompanha a maioria dos seres humanos praticamente durante toda a vida. A doença, que afeta indistintamente uma gama de pessoas, é o principal problema de saúde bucal no Brasil. Dados do Ministério da Saúde revelam que 60% das crianças de cinco anos tem uma média de três dentes com experiência de cárie. Tratando-se de adolescentes - entre 15 e 19 anos -, esse índice sobe para 90% e a média de dentes com cárie chega a seis.

Em entrevista à FOLHA, Sandra Mara Maciel, professora do curso de mestrado em Odontologia da Universidade Norte do Paraná (Unopar) e pós-doutora em Saúde Pública, explica que a experiência de cárie aumenta com o tempo.

''Houve um avanço da ciência e hoje sabemos o que causa e como prevenir a cárie. No entanto, a doença persiste'', afirma Sandra que desenvolveu uma pesquisa sobre os fatores genéticos e comportamentais de risco comum à cárie dentária e à obesidade em adolescentes em Londrina.

Apesar de bastante discutida, em que exatamente consiste a cárie?
É uma doença infecciosa, que pode ser desencadeada por vários fatores. Existe uma determinação social para a doença. Por que no Nordeste o índice é maior? Por eles não terem acesso aos bens para cuidar da saúde bucal. Agora, biologicamente falando, para a cárie se desenvolver a boca precisa estar colonizada pelo micro-organismo agente da cárie, é necessário um hospedeiro e é preciso ter um consumo frequente de açúcar. É importante ressaltar a importância de higienizar corretamente os dentes.

Podemos afirmar que a melhor prevenção da cárie é higienização dos dentes?
A limpeza dos dentes e o controle da dieta, evitando o consumo frequente de açúcar são as melhores maneiras de prevenção. É necessário algumas mudanças comportamentais. Basta a pessoa higienizar os dentes, diminuir o consumo de açúcar e visitar regularmente o dentista.

E, de modo geral, as pessoas fazem isso?
Elas sabem disso, mas o comportamento é errado. Realizamos uma pesquisa para verificar como está a saúde bucal dos adolescentes em Londrina e detectamos que estão com uma média de três dentes com experiência de cárie. Apesar de estarem abaixo da média nacional - cujo índice é de seis dentes, ainda são três dentes cariados.

O que explica essa quantidade de dentes com experiência de cárie nos adolescentes?
Verificamos que 50% dos adolescentes não vão ao dentista regularmente, que 40% não usa o fio dental e que 86,5% tem o hábito de comer fora de hora, ''beliscando'' doces em geral. Esses números podem explicar a média de três dentes com cárie.

Quais os tratamentos indicados para o problema e que consequências uma cárie não tratada pode trazer?
A cárie pode ser tratada por meio da restauração e se chegar a atingir o canal é preciso um tratamento endodôntico. Às vezes ela leva à infecção da raiz e, se não for tratada, pode levar à perda do dente. A cárie não tratada causa muita dor e esteticamente tem consequências emocionais. Problemas na boca têm repercussões sistêmicas.

Existe uma relação entre a cárie, a obesidade e os hábitos alimentares?
A cárie é uma doença multifatorial e a dieta tem um peso importante. Existem poucos estudos que procuraram verificar a relação entre a cárie e a obesidade e os resultados são controversos. Alguns estudos mostram que nos obesos a prevalência de cárie é menor.

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