SAÚDE - Tecnologia a serviço da vida
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Érika Gonçalves<br>Reportagem local 
Quase 50 mil novos casos de câncer de mama devem surgir este ano no Brasil. Este é o segundo tipo mais frequente no mundo e o primeiro mais comum em mulheres. Os dados são do INCA - Instituto Nacional do Câncer, que aponta também que 22% dos novos casos de câncer em mulheres são de mama.
Um alento diante dos números é o fato da medicina avançar significativamente na detecção precoce da doença. Coordenador do Curso de Mama da Sociedade Paulista de Radiologia, Dr. Michel Kalaf esteve em Londrina para ministrar uma palestra sobre ''As novas armas contra o câncer de mama - Mamografia Digital/Ressonância Magnética'' e falou sobre como a tecnologia pode ajudar no diagnóstico da doença.
Qual o melhor método para detectar o câncer de mama?
A melhor sistematização diagnóstica é o uso rotineiro da mamografia, anualmente, após os 40 anos. A mamografia, embora não seja absoluta, tem se revelado ideal para rastreamento, com objetividade de detecção dos tumores de pequenas dimensões que passam despercebidos no exame clínico.
Mulheres jovens devem fazer mamografia a partir de que idade?
Nos casos em que existe história familiar, nos casos em que há alterações genéticas, nos casos em que existe um parentesco próximo daquela paciente, ela tem que antecipar a utilização da mamografia em pelo menos 10 anos. Há uma necessidade de antecipação, uma vigilância de rastreamento, um cuidado maior utilizando a mamografia, a ultra-sonografia e eventualmente a ressonância magnética.
Qual rotina o senhor recomenda para as mulheres acompanharem as doenças de mama e o câncer mais especificamente?
Em primeiro lugar, a paciente deve ter o hábito de procurar seu médico anualmente. Isso é muito importante. Procurar o ginecologista, o mastologista para uma avaliação clínica adequada. Essa avaliação clínica é que vai permitir ao médico ver a necessidade da indicação de exames complementares. Dos exames complementares, a mamografia é aquele que oferece um resultado mais adequado a partir dos 40 anos.
Quais as principais diferenças entre os métodos de imagem de câncer de mama: ultra-som, mamografia, mamografia digital, ressonância magnética?
O método primordial é a mamografia. A ultra-sonografia vem como um adjunto de complementação que traz informes adequados, diferencia as estruturas de natureza cística ou sólida e aquelas que são sólidas, as suas características principais. Felizmente, a grande maioria dos nódulos de mama são de natureza benigna. A mamografia é um método já consagrado, vem sendo utilizado na prática médica há pelo menos três décadas, e ultimamente, nós tivemos a possibilidade de ter evolução desse método para a mamografia digital. Como método digital, ela oferece uma qualidade de imagem mais aprimorada, com possibilidade de análise também bastante expressiva. O importante é saber usar essa metodologia de acordo com as necessidades de cada paciente. A ultra-sonografia como método diagnóstico é muito interessante, no sentido de complementar a mamografia. A ressonância vem como método complementar no esclarecimento de casos mais difíceis, onde o diagnóstico fica limitado e vem sendo cada vez mais utilizado. À medida que nós adquirimos mais experiência na sua utilização, temos tido resultados fantásticos.
Conforme a idade da mulher, há indicação mais precisa de um método?
Em mulheres jovens, o método de avaliação é a ultra-sonografia. Já pacientes acima de 40 anos, o exame vai ser a mamografia. Nas pacientes que tivermos dificuldades diagnósticas utilizando somente a mamografia, vamos ter que usar a ultra-sonografia complementarmente. E em determinados número de casos, pacientes de alto risco ou pacientes que têm um histórico muito definido de possibilidade de neoplasia, a ressonância magnética ajuda bastante.
E nas mulheres que possuem prótese de silicone, há algum procedimento diferente?
Nós temos uma dificuldade maior para examinar. Sempre que fazemos a mamografia em pacientes com próteses de silicone temos que deslocar essas próteses posteriormente, para analisar o maior número de estruturas mamárias. Nessas pacientes sempre vai haver uma perda de avaliação de volume mamário. Por isso temos que usar rotineiramente a mamografia e a ultra-sonografia de forma sistemática, no sentido de obtermos o melhor resultado possível.


