Ter uma crise epilética pode assustar e fazer com que a pessoa viva constantemente com medo de se deparar com o problema novamente. Presenciar um ataque também pode gerar pânico e incertezas sobre como socorrer a vítima. O neurologista e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Luís Sidônio Teixeira explica que a doença tem cura e que os sintomas dependem das partes do cérebro envolvidas na disfunção. De acordo com ele, a incidência maior acontece em dois momentos da vida: na infância e após os 60 anos. ''A doença está entre as cinco mais atendidas pelos neurologistas'', diz.

Quais são os principais sintomas da doença?
Depende da parte do cérebro afetada. Pode-se ter uma crise generalizada e perder bruscamente a consciência ou uma crise focal em que o sintoma é de acordo com a área que está envolvida na disfunção. Tem a crise parcial, que altera a consciência e a pessoa começa a fazer movimentos repetitivos e involuntários. O indivíduo pode até responder se for chamado, mas ele não é capaz de dizer nem o seu telefone ou responder questões mais complexas.

E quais as causas?
Não existe uma causa para a epilepsia primária. Já a secundária se manifesta por causa de um tumor, o verme do porco, uma cicatriz de meningite, uma má formação vascular. As causas são inúmeras.

De que forma deve ser tratada?
Se você tem uma primeira crise e a tomografia não mostra nenhuma anormalidade, às vezes não precisa tratar. Há 50% de chance de isso se repetir. Agora se a pessoa tem uma segunda crise a chance de ter a terceira é de 90%. Por isso, com duas crises é preciso tratar com remédios. Nos casos mais difíceis, em que não se consegue controlar, estuda-se a possibilidade de operar, removendo a área do cérebro que está gerando as crises.

Há cura?
Sim, mas depende muito da causa. Se a causa for um tumor, a pessoa pode ser curada com a retirada dele. No caso de a causa não ser identificada com o tempo, o cérebro pode amadurecer e o indivíduo para de ter crise. Existem vários tipos de síndromes epiléticas. A epilepsia não é uma doença única.

Pode levar a morte?
Raramente. Há casos de morte durante a convulsão, mas é raro. O que pode acontecer é a pessoa bater o carro, cair de uma árvore ou se afogar. Depende do momento em que a pessoa sofre a crise.

E se a pessoa não se tratar, quais consequências a epilepsia pode trazer?
Às vezes a pessoa tem determinado número de crise na vida e depois para de acontecer. Agora se você tiver crise decorrente, por exemplo, de uma pancada na cabeça ou de uma cicatriz de meningite, se não se tratar você vai continuar tendo convulsão. Essas pessoas correm o risco de se machucar. Tem uma pessoa que perdeu quatro dedos da mão porque teve uma crise fritando pastel e ficou com a mão na gordura quente. Nessa hora você não tem a reação de tirar. Mas em 80% dos casos é possível controlar bem com a utilização de remédios.

Como socorrer alguém que esteja tendo uma crise?
Deve-se virar o pescoço da pessoa de lado para evitar o engasgo em caso de vômito. Nunca puxar a língua do indivíduo e jamais colocar a mão na boca dele. Caso a vítima esteja mordendo a língua, aconselha-se proteger com uma fronha ou lenço. É importante manter a calma e não ficar em cima. Deve-se esperar a crise, que dura cerca de meio minuto, terminar e conduzir a pessoa ao médico.

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