Mais um ano, menos um ano, costumamos dizer à medida que envelhecemos. O tempo não existe se somos eternos, mas nesta ‘‘vida nova’’ que amanhã se inicia vamos ressuscitar a consciência de que somos mais importantes do que temos nos imaginado e que, em nossa essência, somos seres sem limitações. Vamos visitar mais assiduamente nosso templo interior e ouvir lá dentro as vozes que nos sussurram. São as vozes da nossa alma, que nos indicam todos os caminhos e nos dão todas as respostas. Porque somos nosso próprio guia e nosso próprio mestre.
Vamos, afinal, nos conscientizar de que não somos pequenos, mas muito grandes, porque nós compomos o universo. Nos recolher ao silêncio, não o da ausência do ruído do vento e das vozes das multidões, mas o silêncio interior, para escutarmos o que nosso espírito nos fala.
O alvorecer do novo milênio será muito revelador para a humanidade, que passará por uma grande expansão da consciência. Saudemos, portanto, a chegada destes novos tempos, sem temor algum, porque viemos nos preparando para isto. Temos que nos regozijar por havermos chegado aos portais desta nova era. Somos vencedores, muito mais do que imaginamos. Não importa se chegamos algo descrentes uns dos outros, mas é que estamos todos exaustos depois de tão longa caminhada... Alguns nos têm atropelado, mas é para que aprendamos a nos levantar e a estender-lhes a mão se eles tropeçarem lá adiante. Todos estamos rumando para um grandioso destino.
Neste limiar de um novo ano vamos sempre nos lembrar que somos os senhores de nossas decisões, e que se alguém nos subjuga é porque, no mais das vezes, temos permitido. Ao invés da permissividade cega, cultivemos, com independência, a harmonia com todas as coisas. Se vivemos em conflito conosco e com o que nos rodeia não vamos enxergar as belezas do viver. Fiquemos vigilantes, mas permitindo que a vida flua. Desarmar nosso espírito e evitar a crítica inconsistente e sobretudo a maledicência, porque ela nos corrói, sem que o percebamos.
Vislumbrar o sucesso e não idéias de crise. Nos regozijar pelos triunfos alheios. Redespertar nossa porção sábia, porque esta opera em linha direta com as forças superiores, que tanto nos fortalecem, mas para isso é preciso que permitamos, porque nada acontecerá à revelia do nosso livre arbítrio.
Se, neste ano novo, a cada início do dia saudarmos a vida e proclamarmos que são bem-vindos o dinheiro, o bem-estar, a paz espiritual, esses atributos sintonizarão nossa frequência. Os bens da vida, materiais e espirituais, contemplam aqueles que se harmonizam com eles.
Neste novo período do nosso calendário, que amanhã começa, vamos vislumbrar um Brasil renovando-se e prosperando.
Nós é que conduzimos as situações e não estas é que prevalecem sobre nós. Não basta apenas agir cegamente; é preciso vivenciar mentalmente as situações que desejamos ver concretizadas.
E tomemos cuidado com as mentalizações e palavras inadequadas, porque elas se cristalizam e têm o poder criador de converter-se em realidade.
Os anos não são bons nem ruins. São apenas medidas de tempo linear, não encerram em si nenhum tesouro oculto e nenhuma sabedoria. Os anos bons são aqueles que fazemos bons.
E o amor, de que tanto se fala, não é necessariamente um sentimento, mas um estado de plenitude que nos leva, imperceptivelmente, a compreender todas as coisas.
Bom se pudermos perdoar sempre. Aos outros e a nós mesmos. Perdoar é algo difícil, porém o nosso mais valioso atributo. O não-perdão emperra tudo.
Também não podemos ser muito rigorosos conosco. Não precisamos nos superar a cada dia, porque não somos super-homens. Somos, sim, superseres, na nossa transdimensionalidade. É assim que temos que nos enxergar. Tudo o que fazemos, em si, é perfeito, porque o mal não existe na consciência de Deus. Todos são caminhos de perfeição. As turbulências são apenas processos de alinhamento.
Neste novo ano vamos permitir que se manifestem as qualidades que existem em nós, para que operem a nosso serviço. Isto não exigirá esforço nem superação. Bastará uma consciente permissão.
Vamos refazer a paz com a vida. Fazer a vida leve. Nos livrar das velharias - materiais e mentais - que entulham nossos espaços e nosso inconsciente. Colocar em prática a vida nova que queremos, sem tantas lamentações que só fazem poluir a atmosfera de nossa existência. Manter a mente receptiva para todas as coisas boas que desejamos, e aí veremos os milagres acontecerem...
Vamos abrir os braços todas as manhãs e saudar as coisas que queremos, proclamando-as bem-vindas, e as veremos chegar. O processo da vida, aqui como no universo cósmico, rege-se por estas leis.
- WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina

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