São José dos Campos O SCD-1 (Satélite de Coleta de Dados), o primeiro desenvolvido no Brasil, completa hoje dez anos em órbita, superando a estimativa inicial que previa vida útil de um ano para o equipamento. Desenvolvido pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o SCD-1 é considerado o maior sucesso do programa espacial brasileiro ele continua transmitindo informações sobre hidrologia, meteorologia e ambiente de regiões remotas do país ao centro de recepção do Inpe.
Os dados coletados pelo equipamento são usados para aplicações em previsão do tempo, estudos sobre correntes oceânicas, marés, química da atmosfera e planejamento agrícola. O coordenador-geral da área de engenharia e tecnologia espacial do Inpe, Leonel Fernando Perondi, disse que o sucesso do SCD-1 comprova que a engenharia e os produtos empregados no projeto são de qualidade.
''Além de consolidar nossa capacidade de desenvolver satélites, o programa também fomentou a tecnologia das indústrias brasileiras da área espacial, que hoje têm condições de fornecer produtos com tecnologia'', disse Perondi. Prova disso, segundo ele, foi o uso de painéis solares fabricados no Brasil no segundo protótipo do SCD, lançado em 1998. Na primeira versão do satélite, os painéis eram importados.
Perondi não soube dizer quando o SCD-1 vai parar de enviar os dados do território brasileiro por causa da deterioração do equipamento provocada pelas radiações solares existentes no espaço. No entanto, ele afirmou que o painel solar e a bateria do satélite já estão comprometidos, o que já provoca algumas falhas durante as transmissões de dados em determinados dias.
O coordenador disse que, quando o satélite parar de funcionar, não será necessário retirá-lo de órbita porque o equipamento perde gravidade e, ao entrar em contato com a atmosfera terrestre, desintegra-se. ''Esse processo de desintegração é algo parecido com o que ocorreu, infelizmente, com o ônibus espacial americano Columbia'', disse Perondi, que também acumula a função de diretor substituto do Inpe.
O SCD-1, que tem dois metros de comprimento por 1,45 metro de altura, fica a cerca de 750 quilômetros de distância da Terra. Além do satélite, o sistema de coleta de dados é formado por uma rede de cerca de 500 plataformas. Embora o SCD-1 seja reconhecido como um dos principais sucessos do programa espacial, a fabricação da terceira versão do satélite foi paralisada no ano passado em razão de um corte de 55% no orçamento do Inpe.
O projeto, que deveria receber no ano passado R$ 5,112 milhões do Ministério da Ciência e Tecnologia, foi contemplado pelo governo federal com apenas R$ 1,473 milhão. O orçamento do Inpe, que em 2002 era de R$ 88 milhões, foi reduzido para R$ 40 milhões. Neste ano, a previsão é que o órgão receba R$ 120 milhões.
Segundo o Inpe, o SCD-3 tem de começar a ser fabricado neste ano porque são necessários dois anos de desenvolvimento antes de o equipamento ser lançado, no final de 2004, para substituir a segunda versão do satélite. O lançamento do satélite até 2004 é necessário para garantir que os estudos ambientais não sejam interrompidos caso as versões um e dois dos equipamentos comecem a apresentar falhas no envio de informações.

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