Brasília Três dias depois de a Polícia Federal (PF) ter apreendido documentos na empresa Lunus Participações, que pertence à governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e ao seu marido, o empresário Jorge Murad, e depois de três anos à frente do Ministério do Meio Ambiente, o deputado Sarney Filho entrega hoje o cargo ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
A saída do ministro do governo é a primeira reação política do grupo da governadora Roseana Sarney, do Maranhão, à operação da Polícia Federal, na empresa da qual é sócia de seu marido Jorge Murad. Sarney Filho, conhecido na intimidade como Zequinha, já havia apresentado sua carta de demissão ao presidente no dia 6 de fevereiro, na última reunião ministerial.
Mas, a exemplo de outros ministros, ele só deixaria o cargo no início de abril, quando os candidatos às eleições de outubro deixarão os cargos no Executivo. Diante da ação da PF, que causou indignação à família Sarney, o ministro precipitou seu afastamento do governo. Ele não quis se pronunciar publicamente sobre o episódio envolvendo sua irmã, limitando a afirmar que sua saída do governo já era uma manifestação.
Filho do ex-presidente José Sarney, o deputado Sarney Filho foi indicado para o ministério na quota do PFL, seu partido. Considerado um político de atuação discreta, ‘‘Zequinha’’ surpreendeu no governo, realizando uma administração cercada de elogios pelas organizações não-governamentais e ambientalistas. Tanto que, em dezembro, recebeu uma homenagem de entidades ligadas à política ambiental.
Para o seu lugar, dois nomes estão cogitados: o ambientalista Paulo Nogueira Neto e o secretário executivo do ministério do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho.
Homenagens à parte, Sarney Filho protagonizou no cargo divergências com os ministérios da Agricultura e da Ciência e Tecnologia sobre a política de liberação do cultivo e comercialização de produtos transgênicos. A queda de braço ocorreu desde o início do governo. A polêmica é sobre quem deve ter a responsabilidade sobre os estudos de impacto ambiental para a liberação de organismos geneticamente modificados (OGMs), como são chamados os transgênicos.
Apesar de pertencer a um partido conservador e de grandes proprietários de terra, o ministro enfrentou também pressões dos ruralistas na elaboração do Código Ambiental.

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