São Francisco teria idealizado a Missa do Galo
A Missa do Galo, segundo uma das versões existentes, foi também idealizada por São Francisco de Assis em 1223. ''É a mesma história do presépio. Ele só permitia visitas ao presépio à meia noite, quando rezava uma missa com canto e fazia a encenação do nascimento de Jesus'', explica Mário Sérgio Cortella, filósofo e professor do Departamento de Teologia da PUC-SP. Outra versão diz que surgiu muito antes, no século 4, quando os cristãos de Jerusalém saíam numa procissão de 50 quilômetros até Belém, para uma noite de vigília. Há ainda os registros da celebração realizada em Roma desde o século 5, na Basílica de Santa Maria Maior.
E também uma corrente defende a tese de que, tal como conhecemos hoje, começou na Alsácia, região de fronteira entre França e Alemanha, mil anos depois, no século 16, onde atualmente está a cidade de Strasbourg.
No Brasil, a Missa do Galo foi o centro das comemorações natalinas até o século 19, antes da era da propaganda que nos trouxe a figura de Papai Noel, muito popular nas regiões nórdicas, e da Coca-Cola, que o pintou de vermelho e branco.
A escolha da meia-noite como hora recomendada para sua celebração agradou aos romanos e cristãos. Aos romanos porque é o Galo que anuncia o nascer do sol e aos cristãos porque foi o canto desta ave que marcou a hora em que Pedro - o patrono da Igreja - negou sua fé nos ensinamentos do mestre.
A ceia acontece depois da missa porque era preciso jejuar, para pagar os pecados cometidos enquanto pagãos.
O galo, símbolo da vigilância, fidelidade e testemunho cristão, acabou indo parar no campanário das igrejas no século 19, e está, até hoje, pintado de azul, no telhado das casinhas que servem de manjedoura nos presépios tradicionais do interior de São Paulo. ''O Papai Noel só chegou ao Brasil no século 19, no fluxo das rotas de comércio dominadas pelos ingleses. O primeiro desenho do Papai Noel - inspirado em São Nicolau - é do ilustrador americano Thomas Nast, de 1866'', conta Cortella. Se popularizou nos anos 40, com a chegada do cinema norte-americano, o esforço de guerra e o avanço do ''american way of life''.





