São ainda 45 milhões de miseráveis
Se houve pequena melhora nas condições de vida dos brasileiros, tanto no governo de FHC como no atual, ainda existem 45 milhões de miseráveis no Brasil. E estes não se enquadram na categoria de pobres e sim na dos que vivem abaixo da linha de pobreza, uma situação de extrema necessidade e muito penosa. Os números são do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas. Houve uma queda da miséria no Governo Lula, por conta da expansão da bolsa-família - um paliativo - mas ainda inferior ao que aconteceu no primeiro mandato do Governo anterior, que foi mais pródigo no atendimento a essa faixa de pobreza. FHC também beneficiou melhor, sob esse aspecto, todo o conjunto da população, conforme os dados ora revelados. A miséria campeia nas cidades e também no meio rural, e é idêntica em proporção, significando que há muito ainda por fazer para apagar essa nódoa da vida brasileira. Porque, especialmente no Governo Lula, o investimento ocorreu mais nesse socorro emergencial - necessário em face da urgência - e não em infra-estrutura que gerasse desenvolvimento e, na continuidade, melhoria também para os miseráveis. De qualquer modo, tudo o que se fez de assistência para a pobreza não é sustentável, segundo analisa a Fundação Getúlio Vargas, querendo dizer que não tem sustentação e, portanto, não é política de durabilidade. A existência de tanta miséria é um contra-senso, num país que produz excesso de alimentos em relação com a demanda interna e cujos governos gastam exorbitâncias com o supérfluo, enquanto falta o mínimo para estes 43 milhões de patrícios. Resta uma semana para escolha de novos governantes, mas nos programas de governo dos candidatos pouco se vislumbra de revolucionário para reverter esse quadro de miséria, a não ser as promessas genéricas. Se o Brasil tem se expandido em muitos setores, por graça da iniciativa privada, e também - não se pode negar - por algumas medidas governamentais, o que houve de mais expressivo na esfera oficial foi a expansão da corrupção, que veio triunfando soberana e por estes dias forneceu novos ingredientes, como o escândalo do dossiê. A nação não pode suportar essa carga se operar sozinha e, pior, tendo de enfrentar políticas públicas que operam em contrário, como o arrocho tributário, os exorbitantes gastos da máquina governamental, burocracia emperradora, sucateamento de infra-estruturas, baixa operância oficial, ausência de incentivo e tantos outros vícios do sistema. O momento é de reflexão para os cidadãos que irão às urnas, e roga-se que tenham a intuição de eleger os que irão fazer o melhor para o Brasil.
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