São 16 milhões de brasileiro navegando na rede
De acordo com levantamento feito pela Network Wizards, em 2002, e divulgado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, o Brasil está bem posicionado no que diz respeito à exploração do mundo virtual. Ocupa o 10º lugar no mundo e o 1º na América Latina em número de ''hosts'' servidores conectados permanentemente à Internet e que dão sustentação aos provedores de acesso. Com base nesses dados, estima-se que cerca de 16 milhões de brasileiros sejam, hoje, usuários da Internet.
O Censo de 2000 já apontava essa tendência de crescimento, ao constatar que os microcomputadores estavam presentes em 10,6% dos domicílios brasileiros, superando o índice de domicílios com ar condicionado, de 7,5%. Mesmo os negócios via Internet começam a se tornar expressivos. Pesquisa recente, realizada pelo Yankee Group, o ''e-commerce'' representaria 0,3% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. Por outro lado, ainda de acordo com a pesquisa, apenas 9% das empresas brasileiras presentes no mundo virtual estariam capacitadas a fazer negócios eletrônicos.
Tony Novaes, Diretor de Tecnologia da Internet by Sercomtel, confirma esse dado, com base no perfil do usuário empresarial de Londrina. ''A maioria dos que têm site na Internet, não o aproveita para negócios online''. Isso se explica, segundo Novaes, por uma certa resistência cultural ao sistema virtual e também pelo alto investimento necessário para montar uma infra-estrutura adequada, que eventualmente poderia incluir disponibilidade para atendimento 24 horas.
Quanto ao usuário doméstico, referendando uma pesquisa nacional recente feita pelo Ibope, Novaes comenta que a Internet ainda está elitizada. ''Enquanto a chamada classe A tem 100% de acesso, a B conta com 60% a 70% e a C está só começando a participar''. As dificuldades não se resumem à compra do microcomputador e à manutenção mensal de um provedor de acesso à Internet. Estendem-se às contas telefônicas, que aumentam proporcionalmente ao tempo de ''navegação'' na rede.
A solução encontrada por Maria Kazuko Kuwano, mãe de Henrique, um usuário da Internet de 15 anos, em relação a esse problema, foi fazer um acordo. ''Sempre que a conta de telefone ultrapassar R$ 100,00, o excedente será pago por ele, com a sua mesada'', explica Kazuko. A estratégia funcionou. Henrique ''navega'', no máximo, uma hora por dia durante a semana e por volta de duas horas aos sábados e domingos.
Diferentemente de 5% dos usuários em geral, jovens e fascinados por jogos online , que costumam ficar na Internet de 6 a 8 horas por dia, conforme conta Novaes, Henrique é um internauta ''light''. Gosta de ''navegar'' pelo mundo virtual para ''pegar música, bater papo com os amigos e fazer pesquisa de escola''. A vida real é muito mais dinâmica e absorvente, em sua opinião. Cursa o segundo ano colegial, pratica tênis desde os 11 anos, estuda inglês e espanhol e, nas horas de folga, gosta de ir ao shopping e ao cinema.
Já a correspondência via Internet é o recurso mais aproveitado do mundo virtual. ''Hoje, mesmo quem não conta com computador em casa, procura ter um e-mail'', confirma Novaes. Nessa perspectiva, faz sentido pensar se o advento da Internet não teria trazido problemas para os Correios, como a diminuição do volume de negócios e mesmo a demissão de carteiros.
No entanto, assegura Fausto Weiler, assessor da presidência dos Correios, ''na queda de braço com as cartas tradicionais, o e-mail nunca vai virar o jogo''. Ao contrário, os negócios continuam crescendo. Quando a Internet começou a se popularizar no país, o número de cartas e de objetos entregues pelos Correios era de 3,4 bilhões. Até 2001, esse volume chegava a 9,5 bilhões 7 bilhões dos quais só de cartas.
O que os Correios fizeram e outras empresas brasileiras começam a fazer em relação à Internet é usar a tecnologia a seu favor, transformando-a em nova fonte de negócios. No começo deste ano, os Correios implantaram um shopping virtual, que objetiva, como num similar do mundo real, dar guarida a 700 pequenas empresas. Mas também pretendem agir no ponto de venda tradicional, estimulando o consumidor a manter um e-mail e a acessar a Internet, com a instalação, a partir de outubro de 2002, de 5,6 mil terminais da rede em suas agências de todo o país, num projeto orçado em R$ 113 milhões.





