Santos Dumont abriu o caminho
Filho de um engenheiro, responsável pela construção de um trecho da Estrada de Ferro D. Pedro II, hoje conhecida como Central do Brasil, Alberto Santos Dumont nasceu em Cabangu, Minas Gerais, em 1873. Fã do escritor Júlio Verne, cujas ''concepções audaciosas'' fascinaram-no desde a infância, começou a se interessar pelo sonho de voar ao visitar uma feira industrial em Paris, no ano de 1891, e descobrir o motor a petróleo e os fabricantes de balões.
Sete anos depois, já contando com um pequeno balão, o ''Brasil'', para uso próprio, cogitou em fazer outro, em que penduraria um motor a explosão. Em sua biografia, Santos Dumont conta que a idéia causou a maior polêmica: ''Diziam-me: se pretendia me suicidar, talvez fosse melhor sentar-me sobre um barril de pólvora em companhia de um charuto aceso''. O repúdio ao seu método, contudo, não o demoveu da intenção de inovar e, a 20 de setembro de 1898, pela primeira vez na história da humanidade um balão evoluía no espaço, propulsionado por um motor a petróleo.
No decorrer dos anos seguintes, aperfeiçoou seu invento e alcançou o sucesso máximo ao vencer o desafio proposto pelo magnata do petróleo Charles Deutsch de la Meurthe - comprovando a dirigibilidade dos balões -, em 19 de outubro de 1901. A imprensa brasileira noticiou a conquista, transcrevendo o telegrama enviado dos EUA por Thomas Edison, no qual o inventor da lâmpada elétrica reconhecia o mineiro de Cabangu como ''o pioneiro dos ares''.
Mas, para Dumont, isso era apenas o começo. Tendo feito várias experiências com dirigíveis dos mais diversos tipos, inclusive um ônibus aéreo (o Santos Dumont nº 10), para 12 passageiros, e um helicóptero com dois rotores (o nº 12), ao chegar ao nº14, resolveu ''pendurar'' nele um outro veículo - o 14 Bis.
Ao obter domínio sobre seu engenho, convocou a Comissão do Aeroclube para, a 23 de outubro de 1906, no Campo de Bagatelle, vê-lo fazer um vôo de aproximadamente 50 metros, a cerca de 3 metros de altura. A nova façanha valeu-lhe não só a conquista da Taça Archdeacon, como o reconhecimento mundial de que era possível fazer decolar uma aeronave, utilizando seu próprio mecanismo. O fato entusiasmou a multidão presente, que imaginou, fascinada, estar assistindo a um ''verdadeiro milagre''. A 12 de novembro de 1906, outro vôo com o 14 Bis, agora percorrendo um trajeto de 220 metros, estabeleceu o primeiro recorde de distância e rendeu-lhe outro galardão, o Prêmio Aeroclube.
Depois do 14 Bis, vieram o aeroplano com asa de madeira (o nº 15); um misto de dirigível e avião (o nº 16); o nº 17, uma cópia do nº 15; um deslizador aquático (o nº 18), terminando com os populares ''Demoiselles'' (séries 19,20,21 e 22). Com o Demoiselle nº 22, Santos Dumont visitou amigos em seus castelos, bateu recordes de velocidade e de distância de decolagem e, a 18 de setembro de 1909, realizou seu último vôo, um rasante em cima da multidão.
Diferentemente de Thomas Edison, o inventor da lâmpada e do gramofone, Santos Dumont nunca patenteou qualquer de seus inventos. Deixou tudo para o domínio público e muita gente, no mundo inteiro, ganhou dinheiro fabricando os balões e aeroplanos inventados por ele.
O fim de vida de Santos Dumont foi trágico. Desenvolveu esclerose múltipla e, a partir de 1918, submeteu-se a vários tratamentos na Europa. De volta ao Brasil, suicidou-se em julho de 1932, no Guarujá, amarrando a gravata ao chuveiro.





