A Igreja é obra da Santíssima Trindade. Jesus amou a Igreja e por ela se entregou. "Vos sois nação santa, povo de Deus" (Cf I Pd 2, 9). O Espírito Santo é alma e guia da Igreja. Ela é templo do Espírito. Por mais forte que seja o mal, não poderia destruir a Igreja. Pode sim infligir-lhe graves danos, mas, não destruí-la. "Creio na Igreja santa" e na sua indestrutibilidade. Sim, por graça de Deus, a Igreja é indestrutível. "Estarei convosco todos os dias" (Mt 28,20). Jesus é a luz da Igreja. Ele é o sol, a Igreja reflete sua luz como faz a lua.
Cristo continua a viver pelo Espírito Santo na Igreja. Ela jamais poderá deixar de ser a Igreja de Jesus Cristo. Há uma indissolubilidade entre Jesus e a Igreja. Sua essência fundamental é irrevogável. Isso não permite nenhuma atitude de triunfalismo e nem da infalibilidade porque somos pecadores. Precisamos sempre de purificação, conversão e penitência porque nossa vocação é a santidade. Cabe-nos viver no Espírito e não na carne.
Na atual crise da Igreja, ou melhor, de alguns membros e setores da Igreja, precisamos de muita humildade e esperança. Nada de pessimismo. Pertencem à Igreja todos os batizados, os anjos, os santos, os apóstolos e mártires, as almas do purgatório. Como é bela a Igreja.
A santidade da Igreja é bem maior que o pecado de seus filhos. Não devemos esconder nossos pecados, nem enfeitá-los, mas, exorcizá-los. Nossos algozes podem tornar-se nossos artistas. Sem querer eles colaboram com nossa santificação e purificação. "Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus" (Rm 8, 28).
A santidade da Igreja é imperecível. Ela não se autodestruirá, mas, precisa bater no peito e reconhecer o mal que nela está. Para explicar a santidade essencial da Igreja e o pecado de seus membros, os Santos Padres usam uma expressão singular "casta meretriz". São Paulo fala do "tesouro que carregamos em vasos de barro" (Cf II Cor. 4, 7). O certo é que Deus conduz a Igreja por diversos e admiráveis caminhos e lhe concede o que melhor convém. Os místicos não cansam de afirmar que nossos pecados crucificam de novo o Salvador. "Não podemos concordar com a mundanização da Igreja" (Bento XVI).
Sendo a Igreja, corpo místico de Cristo, quem a persegue, está perseguindo a Nosso Senhor Jesus Cristo. "Saulo, Saulo, por que me persegues"? (At. 9, 4). Sabemos que Saulo perseguia a Igreja. Estamos diante de um mistério insondável, ou seja, a Igreja é humana e divina, santa em si mesma, mas, composta de membros pecadores. Portanto, a Igreja é mistério de amor de Deus, mistério de salvação, fundamentada no ministério da Palavra, da Liturgia e da Caridade.
Conforta-nos saber que a graça é maior que o pecado, que a santidade é maior que nossas misérias. A santidade vencerá. A Igreja não perdeu sua beleza, está sim num tempo de fortes nuvens. As brasas não viraram carvão, é só soprar as cinzas. O inverno torna bela a primavera. Depois da lua minguante vem a crescente e a cheia. Depois da desolação vem a consolação. Caminhamos entre as tribulações do mundo e as consolações de Deus. Vosso povo é santo e pecador, cantamos em nossas liturgias. No deserto há oásis. Os trajes de luto se tornam trajes de festa. A fé na ressurreição de Jesus nos assegura que a verdade vence no final e que ele pode sanar qualquer debilidade humana. Não há espaço para o derrotismo, mas, para esperança. Deus faz novas todas as coisas. Na noite do deserto as estrelas se tornam mais luminosas. Aos nossos inimigos ofereçamos o perdão, e aos que prejudicaram a Igreja, rezemos pela sua conversão. Nós, filhos e filhas da mãe Igreja busquemos a purificação. Deus do mal tira o bem.

Dom Orlando Brandes é arcebispo de Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res.
Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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