Sanidade requer ações efetivas
A ideia de criar uma Agência de Defesa Agropecuária no Estado do Paraná, anunciada sexta-feira pelo futuro secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, além de corrigir os vícios na lida com a saúde animal, ainda pode garantir aportes de recursos necessários para um bom nível de sanidade.
O projeto tem que ser tratado, de ponta a ponta, em cima de parâmetros técnicos. E focar a prevenção. Se não atingir um grau de excelência nos primeiros anos, pelo menos que represente um divisor de águas. Em matéria de controle de doenças, o Paraná tem mais sorte do que juízo. A vacinação contra a febre aftosa é um exemplo da falta de efetividade nos trabalhos. Campanhas amadoras que salientam mais a punição dos faltosos do que o convencimento da necessidade.
E têm sido falhas. Ao longo dos anos houve casos em que a imunização foi prejudicada simplesmente porque invasores que ocupavam uma grande fazenda tentaram impedir a entrada de técnicos para aplicar a vacina. O governo populista preferiu negociar de maneira tolerante quando poderia fazer prevalecer a lei. Por sorte não houve eclosão de focos. Já aconteceu de tudo, inclusive criadores de gado na área urbana (periferia) que se mostraram completamente alheios à campanha. E, não muito distante no tempo, tivemos autoridades do governo anunciando a presença de focos que não foram comprovados. É mentira? Aqui se fez abates preventivos de forma tão esdrúxula, que rifles sanitários miravam animais potencialmente suspeitos mas acertavam moralmente o consumidor.
Como funcionário de carreira da Secretaria da Agricultura, Norberto Ortigara, deve ter acompanhado a forma com que a sanidade animal foi tratada no Paraná. Que a Agência que agora pretende criar não seja apenas uma mudança de nome de departamentos. Poderá contar com quadro de técnicos competentes da própria Seab e os recursos devem ser gerados de um fundo já existente. O que falta é comando e decisão técnica, sem receio de desagradar os acomodados.





