Enquanto os ideais de alguns chefes de estado estão voltados aos problemas internos de seus países exemplo do programa contra fome que é de caráter social e humanista visando combater a subnutrição de milhares de brasileiros , outros líderes estão preocupados com a manutenção de seu poderio econômico, militar e geográfico a qualquer preço.
Os EUA, através de seu presidente George W. Bush, estão prestes a atacar o Iraque. Mas quais são os motivos que o incentiva a tal ataque se os próprios inspetores de segurança da ONU não encontraram nenhuma evidência de armamento que oferecesse ameaça à terra do tio Sam? Por que somente o lraque, se a Coréia do Norte já fez declarações suficientes do armamento nuclear que possui?
Infelizmente, na visão de algumas pessoas, dentre elas o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ''o petróleo não é a causa da guerra, mas sim consequência''. Segundo ele, a questão principal da guerra seria a ameaça de terrorismo sentida pelos EUA ao invés do interesse econômico. Trata-se de uma análise simplista que necessita de uma melhor contextualização.
Os grandes terroristas da atualidade são os Estados Unidos, haja vista as obrigações impostas aos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Citam-se as atividades desenvolvidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que destina ''empréstimos'' para a busca do tão propalado ''desenvolvimento''. Em contrapartida, impõe restrições sobre sua forma de aplicação intervindo em assuntos alheios a sua competência, acarretando sérios riscos à soberania desses países.
O Iraque possui a 2 maior reserva petrolífera com mais de 113 bilhões de barris o que totaliza 11% de todas reservas já conhecidas, estando apenas atrás da Arábia Saudita. Agregado a este fator, o petróleo iraquiano possui uma ótima qualidade e sua extração é vantajosa economicamente, eis que se encontra mais próxima da superfície. Estudos indicam que mais de 215 bilhões de barris poderão ser encontrados no subsolo iraquiano.
Do outro lado do globo terrestre o consumo diário desse bem valioso, pelos norte-americanos, corresponde a 20 milhões de barris, e ainda querem isentar-se de interesse sobre o petróleo iraquiano sob o falso manto da 'paz mundial'.
O interessante é que a Coréia do Norte mesmo tendo violado o acordo de não proliferação de armas nucleares, e os próprios agentes americanos tendo informações que este país possui mísseis intercontinentais capazes de atingir a costa oeste dos EUA, Bush e seus ''cúmplices'' procuram resolver este impasse através da diplomacia, o mesmo não ocorrendo com o Iraque.
É cômico um país que se diz ser o ''guardião da liberdade'' tratar duas nações com tamanha disparidade. Talvez porque o subsolo norte-coreano não possua reservas de petróleo torna-se inconveniente ter uma ação mais enérgica para com este país.
Defender a guerra insensata e com fins econômicos, que os EUA tanto instigam, não só ofende e macula a soberania de um país, como também denigre e mancha a própria liberdade de cada um de nós, a própria paz e solidariedade que o ser humano sempre busca, mas por questões econômicas são deixadas de lado, ou mesmo esquecidas. Não podemos ser cúmplices de práticas teratológicas como estas, eis que reivindicamos um futuro com uma melhor sociedade, um melhor país, um melhor planeta.
ADRIANO MOREIRA TRINDADE é graduado em Geografia e faz especialização em Análise Ambiental na Universidade Estadual de Londrina

mockup