Sangria tributária retardando crescimento
O Governo não propõe a discussão e a aprovação da refoma tributária simplesmente porque não a deseja, pela razão cega de não saber avaliar que, por via da diminuição do volume de impostos, revigoraria a capacidade produtora nacional, promoveria o crescimento econômico e assim arrecadaria mais. Esta a dinâmica, aplicada em países desenvolvidos, que se desenvolveram justamente por essa prática. Ontem, em entrevista a este Jornal, o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços, Assessoria, Contabilidade e Perícia de Londrina, José Joaquim Ribeiro, declarou que os empresários sonegam não porque querem mas por necessidade de sobrevivência. É um expediente de salvação, e com isso todos perdem, mas a culpa não é deles e sim dos governantes, destacadamente o Congresso Nacional, ao qual incumbe a reforma das legislações inadequadas. Ribeiro exemplificou com uma empresa de Londrina que, tocada por 100 empregados, faturou R$ 16 milhões brutos no ano, pagou R$ 3 milhões de impostos federais, mais salários e encargos trabalhistas, e feitas as contas finais sobraram 2,49% do lucro líquido. Quase nada sobrou para reinvestimentos. O que aconteceu com essa empresa não é diferente com as demais, pequenas e grandes. O Governo Federal abocanha mais de 60% dos impostos brasileiros e dessa forma concentra renda, empobrecendo a cadeia produtiva e mantendo os bolsões de miséria social, que atingem 40 milhões de cidadãos segundo o IBGE e que tende a se estender, porque muito pouco está sendo feito para conter isso. Ao contrário, o Governo tenta criar mais impostos (como fez com a MP 232) e não corta seus gastos desnecessários e supérfluos. Ademais, além de não contribuir com políticas para alavancar o desenvolvimento, ainda promove medidas impeditivas, com o recente aumento do juro básico, que resultará em menos consumo, menos produção industrial, redução da receita tributária, desemprego e todo o círculo de males daí decorrentes. É a roda girando em sentido contrário. Em sua campanha eleitoral o presidente Lula declarou que, se eleito, reduziria os impostos incidentes sobre a produção e sobre os baixos salários, mas embeveceu-se pelo poder, esqueceu o Brasil e foi buscar aplausos junto aos povos pobres do mundo. Também ali começou a alentar esperanças e assim criando compromissos, que certamente não poderão ser cumpridos. Feito governo, quis continuar um político de campanha, pois é o que sabe fazer bem, bastando discursar. Só nestes 20 dias de abril os brasileiros pagaram R$ 41 bilhões de impostos, segundo cálculo da Associação Comercial de São Paulo. É dinheiro que sai das bases produtoras e que faria um imenso giro e se multiplicaria se não fosse cair nas mãos gastadoras do Tesouro. O Brasil não reverterá a situação de miséria social infiltrada na população se não mudar o sentido dessa roda. É aí que deve entrar, firmemente, a ação providencial do Congresso, único capaz de fazer algo restaurador, pois só ali podem ser mudadas as leis e contidos os arbítrios e os abusos.





