Tem muita dificuldade em crescer um país que transfere para os governos, em forma de impostos, 37,37% de toda a sua riqueza financeira. Este foi o porcentual do ano passado, pelo informe da Receita Federal, que sempre que divulga seus números superlativos o faz com euforia, como de alguém que se deleita com os infortúnios alheios. Porque é um infortúnio o cidadão trabalhar tanto para alimentar a máquina governamental, pouco operante, gastadora, desperdiçadora e corrompida. Esse volumoso porcentual é dinheiro que se centraliza em poder da administração pública e enfraquece o meio circulante, gerando estagnação, desemprego e, ironicamente, menos arrecadação tributária embora os valores tão altos dessa carga. Um sábio sistema seria diminuir o porcentual da mordida e arrecadar mais por via do desenvolvimento da atividade produtiva e da economia, e assim todos se beneficiariam, pela dinâmica do processo. É assim que acontece nos países desenvolvidos, que no ranking (mostrado ontem por este Jornal) têm volume elevado de impostos mas não pelo peso das alíquotas e sim pelo dinamismo da economia. Nos três níveis de governo foram arrecadados no ano passado R$ 724 bilhões, em números redondos (que são da Receita, embora o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário suba o montante para R$ 733 bilhões). É muito dinheiro, que seria saudável se atingisse o mesmo valor e até mais, porém resultante do melhor desempenho da economia e não pelo tamanho do porcentual abocanhado. Como de um corretor que ganhou muito porque vendeu muito e não porque seu porcentual de comissão foi exorbitante. A cadeia produtiva nacional e a nação inteira aplaudirão o Governo quando sua receita for elevada porque os negócios estejam igualmente em alta e gerem tributos em maior volume. Dinheiro estagnado em poder do Tesouro descontados os compromissos governamentais obrigatórios é moeda estagnada, enquanto estaria multiplicando riqueza se em poder do empresariado, em todos os seus segmentos, e em mãos das pessoas. A moeda circulante em 2005 era de R$ 55 bilhões, valor que decuplicaria se fizesse o seu giro regular e constante, mas que diminui de intensidade se 37% dele é canalizado para a garganta profunda dos governos. Se é certo que houve setores em que a economia cresceu, a voragem tributária é exagerada demais, mantendo o Brasil no ranking dos países que mais abocanham dinheiro das atividades produtivas, e dos cidadãos individualmente, em forma de tributos de toda a ordem. Os governos precisam atender aos serviços básicos e realizar suas metas, mas há muito gasto sem controle, e por isso os atendimentos de saúde, educação, segurança são péssimos e as obras são poucas. A isto se somam os ''impostos'' representados pelas obras públicas superfaturadas e pelos porcentuais da corrupção governamental, que também recaem sobre o bolso do povo.

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