Saneamento, omissão clássica
Não faz muito tempo, o Paraná, aturdido, descobriu que os Três Poderes de Estado, situados no Centro Cívico em Curitiba, lançavam seus resíduos diretamente no Rio Belém. O absurdo dá bem a medida de quase embotamento da autoridade pública, quando tanto se fala em ecologia e crimes ambientais.
O chocante é que a área obviamente é alcançada pela rede pública de esgotos, o que agrava a irresponsabilidade desses agentes públicos em não tomarem a regular providência de estabelecer a ligação. Isso é uma constante e prova, antes de tudo, a ausência de coordenação entre órgãos estaduais e municipais, pois é visível também na Capital como nas demais cidades o lançamento dos esgotos em rios ou ainda na rede pluvial.
Se num caso desses aparentemente simples, ainda mais quando a administração estadual, dá cobertura integral do suprimento de água potável e avança, de forma considerável, na rede de esgotos, dá para imaginar a gravidade de um outro tema ligado ao saneamento básico - o da deposição do lixo domiciliar, industrial e hospitalar, tema abordado em reportagem documentário desta FOLHA na edição de domingo. Apelar para a solução de maior risco, mas também de menor custo, tem sido a dos lixões a céu aberto. Mais da metade dos municípios paranaenses tem seus depósitos de lixo agredindo o ambiente e o próprio lençol freático inclusive com a infiltração do chorume.
Mesmo Curitiba, com todas as vantagens decorrentes hoje de um articulação política uniforme entre Prefeitura e governo estadual, não consegue dar uma solução racional ao tema a despeito de sua dimensão metropolitana e a tentativa de fazer funcionar um consórcio intermunicipal. Grupos fortíssimos, para garantir a vitória na licitação, usaram de todos os incidentes processuais possíveis que acabaram inviavilizando o processo concorrencial.
Uma solução emergencial está em prática, mas sem a ideia do aproveitamento industrial que se faz necessário.





