Saneamento deve ser prioridade
Embora estudos apontem a diminuição da desigualdade econômica no Brasil, basta um olhar mais atento para que o cidadão encontre exemplos mostrando que as diferenças sociais ainda estão muito presentes. É o que deixou evidente reportagem publicada ontem na Folha de Londrina com base na pesquisa Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nessa quarta-feira. Segundo o estudo, quase metade das crianças brasileiras com até 14 anos vive em moradias onde pelo menos um serviço de saneamento (água, esgoto ou lixo) é inadequado.
Embora a Sanepar aponte que em Londrina a situação é diferente, com água tratada em todos os imóveis e rede de esgoto em quase 87% dos estabelecimentos, há núcleos onde a precariedade é evidente. Um exemplo são os assentamentos, lugares muitas vezes desprovidos de coleta de lixo e rede de esgoto.
A falta de serviços básicos de saúde reflete diretamente no bem-estar da população, principalmente das crianças, mais vulneráveis a doenças, como a diarreia. São problemas que afetam o crescimento saudável delas e o rendimento escolar. Enquanto há crescimento positivo de índices sociais como diminuição do analfabetismo, aumento da presença de crianças e jovens nas escolas (até mesmo creches e pré-escolas), aumento do número de idosos na população, diminuição do desemprego e crescimento do poder de compras da população, é importante que os governos federal, estadual e municipal deem a devida atenção aos serviços básicos.
Viver em uma moradia beneficiada com saneamento é um direito da população e a oferta desses serviços é uma obrigação do poder público. Abastecimento de água, coleta de lixo e destinação adequada do esgoto são essenciais para a saúde, para a manutenção do meio ambiente e até mesmo para a economia de uma cidade. O investimento nesse setor deve ser encarado como prioritário, mesmo que as obras sejam subterrâneas e não deem a visibilidade política que o gestor público tanto deseja.





