Sanções são sandices de Donald Trump
As sanções que ele está aplicando ao mundo também atingem os EUA, Trump está queimando seu próprio edifício
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de julho de 2025
As sanções que ele está aplicando ao mundo também atingem os EUA, Trump está queimando seu próprio edifício
As sanções de Trump deviam ser substituídas pelas "sandices do Trump" porque o pretenso "imperador do mundo" é alvo de protestos maciços em seu próprio país. Até o slogan "make America great again" mostra que ele sabe que os EUA não são mais o que foram.
As sanções que ele está aplicando ao mundo também têm consequências para os EUA. O que ele tenta, irresponsavelmente, tornar seu país o que foi no pós-guerra, não se sustenta mais. As configurações da geopolítica mudaram acentuadamente no mundo contemporâneo. Hoje, o protagonismo da China é maior que o dos EUA, inclusive na relação com o Brasil.
A China é nosso maior parceiro comercial e, como exportamos basicamente commodities, podemos negociar com o mundo inteiro. No Paraná já se cogitam novas frentes de exportação da soja, por exemplo. Indústrias também abrem novos mercados, a Embraer acaba de vender 45 jatos para a Dinamarca em meio às notícias do tarifaço, uma operação de R$ 21,8 bilhões.
O que Trump está tentando, com essa guerrilha, colocando Bolsonaro como um "perseguido" a ser defendido por ele, é só a construção de uma narrativa, na verdade ele quer atingir o Brics atingindo o Brasil.
Quer mandar na economia brasileira restringindo o Pix, por exemplo, porque os cartões de crédito com bandeira americana estão perdendo valor. Com o Pix parcelado, cada vez mais os Visa e Masterclass estão ficando na gaveta.
No fundo, Trump está ameaçando porque a economia de seu país também já entrou na rota da crise, o que deverá se agravar com as sanções que ele aplica ao mundo todo, não só ao Brasil. Há consequências fortes disso na própria economia norte-americana, e uma onda de protestos maciços contra as sandices de Trump.
Esta semana, devem se definir novas sanções de Trump contra o Brasil que tem, sim, condições de aguentar o tranco sem precisar "anistiar Bolsonaro". Bolsonaro para os EUA é só massa de manobra para atiçar a extrema-direita daqui contra Lula.
Resta saber quais as estratégias do Brasil para atravessar esse túnel: somos autossuficientes em alimentos, petróleo etc. A ameaça tecnológica - já que Eduardo Bolsonaro fala até em "suspensão do GPS" - na verdade, seria negativa para os negócios das empresas norte-americanas no Brasil, incluindo o Google, a Amazon e o Uber. Sem contar que temos o GPS chinês, o Bei-Dou, já instalado.
Agora, é aguentar o tranco das sandices de Trump e agir na vida como no futebol, sem lamber a chuteira do adversário. Sanções virão, mas nada que assombre mais do que um doido querendo ser "imperador do mundo" no século 21. O tempo de Nero já passou e, no fim, sua loucura se voltou contra ele mesmo. A História ensina.
Trump está queimando seu próprio edifício, os EUA não estão mais na mesma posição dos anos 50/60. Só Trump ainda quer usar topete e dirigir Cadilac a gasolina. Isso ficou para trás. E não é difícil constatar que Trump tem mais inimigos do que amigos. Sua imagem já é constrangedora perante o mundo.


Celia Musilli
Editora de Cultura e colunista.


