As sanções de Trump deviam ser substituídas pelas "sandices do Trump" porque o pretenso "imperador do mundo" é alvo de protestos maciços em seu próprio país. Até o slogan "make America great again" mostra que ele sabe que os EUA não são mais o que foram.

As sanções que ele está aplicando ao mundo também têm consequências para os EUA. O que ele tenta, irresponsavelmente, tornar seu país o que foi no pós-guerra, não se sustenta mais. As configurações da geopolítica mudaram acentuadamente no mundo contemporâneo. Hoje, o protagonismo da China é maior que o dos EUA, inclusive na relação com o Brasil.

A China é nosso maior parceiro comercial e, como exportamos basicamente commodities, podemos negociar com o mundo inteiro. No Paraná já se cogitam novas frentes de exportação da soja, por exemplo. Indústrias também abrem novos mercados, a Embraer acaba de vender 45 jatos para a Dinamarca em meio às notícias do tarifaço, uma operação de R$ 21,8 bilhões.

O que Trump está tentando, com essa guerrilha, colocando Bolsonaro como um "perseguido" a ser defendido por ele, é só a construção de uma narrativa, na verdade ele quer atingir o Brics atingindo o Brasil.

Quer mandar na economia brasileira restringindo o Pix, por exemplo, porque os cartões de crédito com bandeira americana estão perdendo valor. Com o Pix parcelado, cada vez mais os Visa e Masterclass estão ficando na gaveta.

No fundo, Trump está ameaçando porque a economia de seu país também já entrou na rota da crise, o que deverá se agravar com as sanções que ele aplica ao mundo todo, não só ao Brasil. Há consequências fortes disso na própria economia norte-americana, e uma onda de protestos maciços contra as sandices de Trump.

Esta semana, devem se definir novas sanções de Trump contra o Brasil que tem, sim, condições de aguentar o tranco sem precisar "anistiar Bolsonaro". Bolsonaro para os EUA é só massa de manobra para atiçar a extrema-direita daqui contra Lula.

Resta saber quais as estratégias do Brasil para atravessar esse túnel: somos autossuficientes em alimentos, petróleo etc. A ameaça tecnológica - já que Eduardo Bolsonaro fala até em "suspensão do GPS" - na verdade, seria negativa para os negócios das empresas norte-americanas no Brasil, incluindo o Google, a Amazon e o Uber. Sem contar que temos o GPS chinês, o Bei-Dou, já instalado.

Agora, é aguentar o tranco das sandices de Trump e agir na vida como no futebol, sem lamber a chuteira do adversário. Sanções virão, mas nada que assombre mais do que um doido querendo ser "imperador do mundo" no século 21. O tempo de Nero já passou e, no fim, sua loucura se voltou contra ele mesmo. A História ensina.

Trump está queimando seu próprio edifício, os EUA não estão mais na mesma posição dos anos 50/60. Só Trump ainda quer usar topete e dirigir Cadilac a gasolina. Isso ficou para trás. E não é difícil constatar que Trump tem mais inimigos do que amigos. Sua imagem já é constrangedora perante o mundo.

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