Salve a seleção!
Mateus Reginato Ramos Marques
Desigualdade é uma das palavras que melhor descreve a situação da humanidade atualmente. Ela está presente em todos os aspectos da vida. No futebol, não é diferente. Enquanto Barcelona e Juventus fizeram um duelo milionário em Berlim, agremiações no Caribe têm o seu dinheiro desviado por algum cartola da Concacaf que pretende usar o dinheiro em benefício próprio. Assim caminha o mundo. Jack Warner, ex-presidente da Concacaf e ex-vice-presidente da Fifa, é acusado de vender votos para a África do Sul poder sediar a Copa de 2010. A Associação de Futebol da África do Sul e Warner se defenderam usando a imagem de Mandela como escudo. O político chegou a dizer que os EUA são racistas e que estão tentando manchar a imagem de Mandela. Declarações como essa é que acabam por criar uma imagem negativa da África do Sul, que durante muito tempo teve em Mandela uma figura de liderança e de esperança para dias melhores, o que de fato aconteceu. Warner está tentando manchar a história do líder africano, assim como as supostas propinas pagas a ele pela Fifa e pela Associação Sul-africana. Mandela se foi há um tempo, mas seus feitos e lembranças permanecerão para o povo africano, sua imagem e seus feitos jamais serão manchados, ainda mais por mandachuvas corruptos e que utilizam as realizações dele em uma tentativa covarde de se proteger. Warner chegou ao ponto de desviar dinheiro destinado às vítimas do terremoto ocorrido no Haiti em 2012.
O Brasil não foge à regra. O futebol brasileiro passa por uma grande crise, que se agravou após os escândalos de corrupção envolvendo a Fifa e o ex-presidente da CBF José Maria Marin. Em campo, a seleção e os times brasileiros refletem o que a Confederação é: falta de organização, ideias atrasadas, líderes fracos e que só querem saber de lucrar em cima de jogadores, direitos de imagem e em cima do torcedor, que é quem mais perde com tudo isso. O fatídico 7 a 1 aplicado pela Alemanha em pleno território Tupiniquim representa bem o cenário apresentado pela CBF há muito tempo e que só tende a se agravar cada vez mais.
Em meio a toda essa crise, a Europa vai muito bem, obrigado. A Alemanha é a atual campeã mundial, a Liga dos Campeões, torneio de futebol entre clubes mais prestigiado do mundo, arrecada dinheiro como nunca, as arenas são modernas e estão sempre lotadas. Não é por acaso que Michel Platini, presidente da Uefa, é grande crítico da Fifa e de seus dirigentes. Após as denúncias de fraude nas eleições para a escolha da sede das Copas de 1998 e 2010, que foram realizadas na França e na África do Sul, respectivamente, a credibilidade das escolhas das sedes para as copas futuras, que serão na Rússia, em 2018, e no Qatar, em 2022, foram postas em xeque. As péssimas condições de trabalho nas construções das arenas no Qatar, para a Copa de 2022, só agravam a situação. A condição dos operários, em sua maioria estrangeiros, beira a escravidão e é conhecida desde meados de 2013. Já se passaram quase dois anos e pouca coisa mudou, a Fifa não se importa com as condições de trabalhadores moribundos, o que importa para eles são os milhões gerados pela Copa e pelos petrodólares dos sheiks árabes. Michel Platini deveria continuar pressionando a entidade máxima do futebol mundial em busca de melhorias e mudanças. Ameaças de boicote à Copa de 2018 não devem ser descartadas e precisam ser levadas a sério. Infelizmente, essa parece ser uma das únicas saídas para os mandatários da Fifa admitirem os erros na gerência da Federação e recorrerem ao que for certo a se fazer. Até lá, espera-se que Joseph Blatter tenha dado seu "trono" para alguém mais competente que ele, ou será que até a sua suposta renúncia é somente uma jogada para tentar aliviar o clima para, então, ele voltar ao lugar que ele julga ser seu de direito?
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