Como o Hospital Universitário de Londrina atende a doentes de grande número de municípios da região, assim como de outros pontos do Paraná e também das cidades vizinhas do Estado de São Paulo, é obrigação de muitos mobilizar-se para salvá-lo. Diz-se salvá-lo, porque os 200 médicos residentes, vinculados a cursos de medicina, fisioterapia e enfermagem e que fizeram uma manifestação pública em defesa do hospital, ontem, no centro de Londrina, conclamavam à ajuda para ''salvar o HU''. Instituição pertencente à Universidade Estadual de Londrina, o hospital dá atendimento indistinto a todos que o procuram, e por vezes fica superlotado. A razão do apelo do momento é a falta de médicos plantonistas, de docentes e funcionários, e a melhoria salarial. As vagas daqueles que se aposentaram, nos últimos anos, não foram repostas, e a denúncia é que o corpo docente está se esvaziando em face do baixo ganho. Alguns serviços deixaram de funcionar, 26 leitos foram desativados, e os manifestantes que são o cérebro e o coração do HU temem pela queda de qualidade no atendimento e também no padrão de aprendizado, caso dos 140 residentes. Há um déficit de 100 funcionários. Hospitais-escola exigem requisitos dobrados, que são o bom serviço aos pacientes e as disponibilizações para oferecer o melhor ensino, porque isto tem reflexo no padrão do curso de medicina da universidade. O HU, se é a salvação para tantos doentes, sobretudo os carentes, não pode perder a sua característica educacional, pois é com esta finalidade que basicamente existe, embora seu meritório serviço assistencial uma condição dependente da outra. A reitora da universidade, Lygia Pupatto, insinua que esteja havendo um jogo de empurra entre o Sistema Único de Saúde e o governo do Estado, por isso questão de alta relevância como esta do Hospital Universitário não é resolvida. Não apenas Londrina mas toda a comunidade regional tem obrigações para com o HU, que presta atendimento sem discriminar a origem dos pacientes. Isto desafoga os serviços municipais de saúde, e os beneficia, razão porque prefeitos e lideranças da região devem cerrar fileiras e pressionar o governo, especialmente a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Vão sendo esquecidos os tempos em que a comunidade, pelas suas representações, ia ao Palácio Iguaçu, às secretarias e ao governo federal apresentar reivindicações. Há que retomar esse tipo de mobilização, pois só dessa forma se consegue as coisas. Sem luta e sistemática pressão pouco ou nada se obtém. Ao contrário, os governantes imaginam que tudo vai bem e se acomodam. O velho e eficaz sistema de vencer as autoridades pelo cansaço ainda não encontrou substituto melhor.

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