Salvar as vacas leiteiras de Sapopema
A Folha Rural mostrou duas situações de pequenos e médios produtores rurais da fértil região norte-paranaense. Uma favorável o associativismo de cinco dezenas de cafeicultores de Lerroville, que operam pelo sistema denominado justo e solidário; e outra preocupante a das vacas leiteiras de Sapopema que estão morrendo por falta de assistência veterinária. Esse pequeno município pastoril, produtor de leite e derivados, não dispõe de um veterinário para atendimento dessa natureza. O único funcionário disponível da Secretaria de Agricultura do Estado só faz vistorias de fiscalização sanitária, mas não orienta suficientemente. Tanto que vacas boas de produção vão morrendo, sem saber-se a razão, porque o manejo não é adequado e ninguém dá orientação. Por isso reclama-se a presença mais efetiva dos órgãos técnicos, para dar socorro a esses pequenos produtores. Não se concebe que no Paraná, que administra 10 milhões de cabeças de gado com adequada tecnologia, falte assistência técnica para esses pecuaristas menores, que têm na produção leiteira a sua maior fonte de renda. Um dos produtores demonstra pela morte de vacas que estavam em franca produção e foram definhando até a morte que o leite com o qual produzia queijo e garantia a renda familiar, agora mal dá para o consumo da casa. O gado não passa fome mas existem outras necessidades que o produtor desconhece. Nos pastos, conforme a Folha Rural mostrou, ossadas testemunham a morte de animais. Isto certamente seria evitado se os órgãos oficiais do setor se fizessem presentes. Espera-se que a denúncia agora feita desperte as autoridades. Um produtor citado na reportagem, dono de 43 vacas, disse que já perdeu quantia idêntica nos últimos dez anos, um prejuízo muito grande na proporção do negócio. A Secretaria municipal de Agricultura afirma não dispor de condições para manter um veterinário. O rebanho do município é de quase 70 mil cabeças, um número expressivo mas sob constante risco, porque não é cuidado adequadamente, pela falta de ensinamento técnico para as questões de sanidade. Se grandes pecuaristas mantêm-se atentos e também enfrentam problemas, imagina-se esses desassistidos, que não dispõem de meios para contratar veterinário! Sapopema já é um município de baixo índice de desenvolvimento humano e está entre os mais pobres do Estado, e se a maior fonte de produção também definha, a qualidade de vida se agrava. De nada adianta a presença de um profissional da Secretaria, como o existente, se ele só faz relatórios sobre o gado que morre e não dá a suficiente orientação preventiva, como as técnicas corretas de defesa sanitária, para que as vacas não morram. Se o veterinário de Sapopema se defendeu, ao ser ouvido pela reportagem, algo deve estar errado na relação entre ele e os produtores. De quem mais sabe e este é o técnico é que se faz mais exigência. Enquanto os órgãos oficiais tanto apregoam as boas graças da agricultura familiar, fato como o de Sapopema é um atestado de que nem tudo funciona como a propaganda.





