Salvar as pequenas empresas
Um caminho para salvar micros e médias empresas é criar opções mais baratas de crédito, como propõe o presidente do Sebrae ante a pesquisa reveladora de que 60% das empresas desse porte, no Brasil, fecham nos dois primeiros anos depois de abertas. As razões apontadas para essa mortalidade precoce é a escassez e o alto custo do crédito, a alta carga tributária e, naturamente, também inexperiência gerencial. Uma das propostas do Sebrae é criar cooperativas para obter dinheiro mais barato e criar o Super Simples, um sistema tributário mais brando e menos burocrático proposta que aquela instituição fará chegar ao Congresso até outubro. Estas são saídas que o próprio setor empresarial busca, como forma de manter as pequenas empresas, porque não há indicativo de o governo estar preocupado com a situação. Se nem a comunidade parlamentar, que deveria estar atenta, e nem os Ministérios da área e o próprio governo como um todo, não dão a mínima atenção a essa sinistra estatística, embora tanto falem em políticas desenvolvimentistas, então é preciso que os próprios empresários se mobilizem e busquem mecanismos de salvação. Inútil esperar que algum setor do governo ora instalado esteja atento à situação desse segmento empresarial, porque a máquina governamental anda frouxa e sem comandante. Empreendimentos instalados nos anos 2000, 2001 e 2002 estão fechando e isto remete para a responsabilidade deste governo, que assumiu em 2003 e nada criou no sentido de frear a mortandade infantil dessas pequenas empresas. O que ocorreu, sim, foi a manutenção de pesados impostos, e nada foi feito para diminuir o custo do dinheiro. Os financiamentos contemplam grandes empresas, e as pequenas defendem-se como podem e a maioria morre com pouco tempo de vida. São os pequenos negócios que mais garantem empregos, no Brasil, mas o governo do presidente que subiu ao poder alavancado pela esperança das classes menos favorecidas microempresários incluídos está sem rumo, como barco a deriva, e sem autoridade para tomar decisões. Agradáveis surpresas não irão acontecer a partir de Brasília, mas há que não esmorecer, porque se o governo não fizer por iniciativa de ministros e parlamentares, as classes produtoras terão de fazê-lo. Os dirigentes das instituições privadas deste país devem mobilizar-se e manter o clima de pressão, sem esmorecimento, e não permitir que o governo pare o Brasil. Se há o Brasil frouxo da esfera oficial, que nada ou pouco decide e muito atrapalha, há o Brasil dos empreendedores, e este não deve esmorecer. Um governo se exerce, sobretudo, pela ação de seus cidadãos, e estes precisam reivindicar, apresentar propostas e mostrar a sua força. As pequenas empresas continuarão morrendo precocemente se não se organizarem em frentes de resistência contra a sangria dos impostos, contra os juros extorsivos e contra a apatia governamental. Há que vencer Brasília pelo cansaço.





